Projeto de pesquisa, UFPE
ENSAIO CLÍNICO SOBRE A EFICÁCIA DO LED VIOLETA ASSOCIADO A GÉIS CLAREDORES DENTAIS DE BAIXA CONCENTRAÇÃO
Descrição
Objetiva-se realizar uma análise comparativa da efetividade da luz LED violeta associada a géis clareadores de baixa concentração em protocolos de clareamento dentário realizados em pacientes, investigando simultaneamente a ocorrência de efeitos adversos — em especial a sensibilidade dentária — e avaliando a aplicabilidade e a viabilidade clínica dessa abordagem inovadora, considerando variáveis individuais como tempo de aplicação e conforto do paciente durante o tratamento. Do ponto de vista metodológico, todas as fases somente serão iniciadas após aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa com Seres Humanos do Centro de Ciências da Saúde da UFPE, seguindo as resoluções 466/12 do Conselho Nacional de Saúde (CNS). A amostra de conveniência será composta por 40 pacientes de ambos os gêneros, maiores de 21 anos, que procurarem tratamento clareador nas clínicas de atendimento do Curso de Odontologia da UFPE, selecionados de acordo com critérios de inclusão que exigem a presença de todos os dentes ântero-superiores naturais e vitais, escurecimento natural ou fisiológico com média de coloração entre os seis dentes ântero-superiores igual ou maior a 6 pela Escala VITA, ausência de restaurações ou próteses nas faces vestibulares dos dentes anteriores e ausência de lesões cariosas. Serão excluídos pacientes com sensibilidade dentária, lesões cervicais ou fraturas, fumantes, gestantes e lactantes, pacientes com histórico de lesões cancerígenas e aqueles que tenham realizado tratamento clareador prévio. Após anamnese e exame físico, os pacientes receberão orientações sobre higiene bucal, dieta e aspectos relacionados à terapia clareadora — incluindo mecanismo de ação, reações adversas, precauções trans e pós-tratamento — e serão distribuídos aleatoriamente, por ordem de procura pelo tratamento, em quatro grupos experimentais: o Grupo 1 (G1) realizará clareamento supervisionado domiciliar com peróxido de carbamida 16%, aplicado por 4 horas diárias durante 14 dias; o Grupo 2 (G2) realizará clareamento em consultório com peróxido de hidrogênio 35%, em 3 sessões semanais consecutivas com intervalo de 7 dias entre cada sessão; o Grupo 3 (G3) realizará clareamento em consultório com peróxido de hidrogênio 6% associado à luz LED violeta, também em 3 sessões semanais consecutivas com intervalo de 7 dias; e o Grupo 4 (G4) realizará clareamento de consultório com peróxido de carbamida 16% associado ao LED violeta, no mesmo esquema de 3 sessões semanais. Entre as sessões, todos os participantes receberão orientações de cuidados domiciliares e, ao final de cada consulta (exceto para o grupo supervisionado), será realizada a aplicação de gel fluoretado neutro. Todas as medidas de segurança serão adotadas, incluindo afastador labial, protetor lingual, sugador, gorro, avental descartável, óculos de proteção e barreira gengival fotopolimerizável; em caso de contato acidental do gel clareador com tecidos não desejados, será aplicada uma pelota de algodão embebida em solução de bicarbonato de sódio a 7% para neutralização do peróxido. A análise da variação cromática dos elementos dentários será realizada por espectrofotometria digital, utilizando o equipamento Easyshade® (VITA Zahnfabrik, Bad Säckingen, Alemanha), amplamente validado para uso clínico, com o espectrofotômetro posicionado perpendicularmente à face vestibular dos dentes incisivos centrais superiores em ambiente clínico controlado com iluminação padronizada. A coleta será realizada em três momentos: antes do início do clareamento (T0), após a última sessão (T1) e após 14 dias de acompanhamento (T2), visando verificar tanto a eficácia imediata quanto a estabilidade da cor ao longo do tempo. As leituras serão obtidas segundo o sistema CIeLAB, com registro dos parâmetros L (luminosidade), a (matiz vermelho-verde) e b (matiz amarelo-azul), e a diferença de cor (ΔE) será calculada com base nos valores obtidos em cada tempo experimental, sendo todas as aferições realizadas por um único operador previamente calibrado para garantir reprodutibilidade e padronização dos dados. Nos grupos 3 e 4, será utilizada a luz LED violeta (Bright Max Whitening — MMO), programada para ciclos de 60 segundos de ativação e 30 segundos de pausa, totalizando 30 minutos de exposição por sessão conforme orientação do fabricante, com irradiação aplicada em ângulo de 90° e a uma distância de 8 mm da superfície dentária. Todos os dados serão armazenados em planilha eletrônica e submetidos a tratamento estatístico inferencial com nível de significância de 5%. Quanto à relevância científica e ao impacto do projeto para a odontologia, o estudo responde à necessidade de atualizações conclusivas sobre a segurança do clareamento dental, especialmente no que se refere à preservação do esmalte e à redução de efeitos adversos associados ao uso de agentes oxidantes em altas concentrações. A investigação da combinação de luz LED violeta com peróxidos em baixas concentrações pode representar uma alternativa segura, eficaz e economicamente viável, com potencial para transformar a prática clínica odontológica e contribuir diretamente para o avanço da área ao gerar dados clínicos robustos capazes de orientar condutas mais conservadoras e acessíveis — beneficiando tanto a população atendida, especialmente em serviços públicos como os Centros de Especialidades Odontológicas (CEOs), quanto os profissionais da área, que disporão de respaldo científico para a escolha de protocolos mais seguros e eficazes. Adicionalmente, os resultados podem estimular a inovação no setor odontológico local, promovendo o desenvolvimento de produtos e tecnologias baseadas em evidência científica e ampliando o acesso à estética dental como fator de saúde, autoestima e qualidade de vida.
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