Projeto de pesquisa, UFPE
SISTEMA AUDITIVO EM INDIVÍDUOS COM E SEM APNEIA OBSTRUTIVA DO SONO
Descrição
O sono é fundamental para uma vida saudável. Consequentemente, distúrbios respiratórios do sono podem desenvolver vários problemas de saúde física e comportamental (Gipson; Lu; Kinane, 2019). A Apneia Obstrutiva do Sono (AOS) é um distúrbio respiratório caracterizado por eventos obstrutivos das vias aéreas superiores que perturbam a ventilação normal durante o sono, resultando em fragmentação do sono e/ou sono não restaurador (Saporiti et al., 2024; Lee; Lee, 2023). Estima-se que 936 milhões de adultos em todo o mundo tenham AOS que varia de leve a grave (AASM, 2018). No Brasil, estima-se que a apneia obstrutiva do sono esteja presente em 7,5 a 33% dos adultos de ambos os sexos, diagnosticados através de exame de polissonografia, considerado padrão-ouro para seu diagnóstico (Lee; Lee, 2023; Perceval; Meucci, 2020; Thorisdottir et al., 2024). Dentre outras consequências, a apneia obstrutiva do sono (AOS) pode levar à perda auditiva (Long; Tang, 2023). Esta, por sua vez, é um déficit sensorial altamente prevalente e um problema global de saúde pública, pois reduz a qualidade de vida das pessoas, com consequências drásticas na vida acadêmica, na comunicação, na interação social, etc. As consequências da hipóxia podem estar relacionadas à danos na cóclea, uma das principais estruturas do sistema auditivo periférico, cujas células ciliadas sensoriais são altamente vulneráveis às variações de oxigênio. Um sono inadequado pode ser prejudicial ao processo de “limpeza” dos antioxidantes na cóclea, levando a uma alteração no funcionamento do sistema auditivo (Long; Tang, 2023). Acredita-se que o estresse oxidativo induzido pela hipóxia, a inflamação e as alterações no fluxo sanguíneo para orelha interna são a base fisiopatológica da perda auditiva na AOS (Kayabasi; Hizli; Yildirim, 2019; Wang et al., 2022). Assim, a fragmentação do sono associada à AOS pode perturbar os processos fisiológicos normais envolvidos na audição, levando a danos adicionais ao longo do tempo (Lee; Lee, 2023). Quanto mais severa for a AOS, maior a perda auditiva (Matsumura et al., 2018; Kayabasi; Hizli; Yildirim, 2019). Além dos possíveis danos cocleares, a hipóxia causada pela AOS pode levar a disfunções no sistema auditivo central. Sabe-se que a degeneração do sistema auditivo central ocorre mais cedo do que o dos órgãos auditivos periféricos, em função da hipóxia causar degeneração de células ciliadas, na cóclea, células ganglionares e neurônios da via auditiva (Hwang et al., 2011). Por exemplo, nos estudos de Yilmaz et al. (2019) viu-se que a hipóxia causa à longo prazo declínio nos limiares auditivos, com deterioração nos resultados das Emissões Otoacústicas por Produto de Distorção (EOAPD) e prolongamento da latência interpico I – V no exame de Potencial Evocado Auditivo de Tronco Encefálico (PEATE).
Candidatar-se
Entre na sua conta para enviar uma carta de intenção à coordenação deste projeto.