Projeto de pesquisa, UFPE
Cultura Visual, Memória e Política em Pernambuco (1940-1979)
Descrição
O projeto tem como objetivo investigar as relações entre cultura visual, memória e política em Pernambuco entre 1940 e 1979, compreendendo fotografias, filmes, documentários, cinejornais, periódicos ilustrados e outros artefatos visuais como agentes ativos na produção de narrativas históricas, identidades sociais e disputas de memória. Fundamentado nos referenciais da Cultura Visual, da História Cultural das Imagens e dos estudos sobre História e Audiovisual, o trabalho parte do pressuposto de que as imagens são formas de representação historicamente situadas, atravessadas por relações de poder, interesses políticos e processos de construção simbólica. O recorte temporal abrange um período marcado por profundas transformações políticas no Brasil, desde os anos finais do Estado Novo, passando pela redemocratização de 1945, pelas tensões da Guerra Fria e pelo Golpe civil-militar de 1964, até o contexto da abertura política e da Lei da Anistia em 1979. Ao longo dessas décadas, a produção e circulação de imagens assumiram papel estratégico na formulação de discursos sobre desenvolvimento, identidade, modernização, ordem social, anticomunismo e memória política. Em Pernambuco, tais dinâmicas manifestaram-se de forma singular por meio da atuação de órgãos governamentais, instituições federais, veículos de comunicação, fotógrafos, cineastas e intelectuais que contribuíram para a construção de diferentes imaginários sobre o estado e o Nordeste. A pesquisa dialoga com importantes contribuições teóricas dos estudos visuais e da historiografia contemporânea, especialmente com autores como William J. T. Mitchell, Nicholas Mirzoeff, Stuart Hall, Georges Didi-Huberman, Martin Jay, Ulpiano Meneses, Paulo Knauss, Ana Maria Mauad, Charles Monteiro, Eduardo Morettin e Francisco Santiago Júnior. A partir dessas referências, busca compreender não apenas as imagens em si, mas também os regimes de visualidade, os modos de ver, os circuitos de circulação e os processos de recepção que lhes conferem sentido histórico e político. O corpus documental reúne acervos fotográficos, audiovisuais e jornalísticos produzidos entre as décadas de 1940 e 1970. Entre as principais fontes destacam-se as coleções fotográficas de Rucker Vieira e Edmond Dansot, preservadas pela Fundação Joaquim Nabuco; os acervos dos jornais Folha da Manhã, Diário da Manhã e Diário de Pernambuco; documentos do Departamento Estadual de Imprensa e Propaganda de Pernambuco (DEIP-PE); revistas ilustradas nacionais e internacionais, especialmente a revista norte-americana Life; além de documentários produzidos por instituições como o Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais (IPES), a Fundação Joaquim Nabuco, a SUDENE e outros órgãos. Essas fontes possibilitam analisar as representações visuais construídas sobre Pernambuco e o Nordeste em diferentes contextos políticos e culturais. O objetivo geral consiste em analisar como as imagens participaram da construção de narrativas políticas, memórias coletivas e representações sociais em Pernambuco entre 1940 e 1979. Entre os objetivos específicos estão: identificar os circuitos de produção e circulação das imagens; investigar a atuação de fotógrafos, cineastas, instituições e veículos de comunicação; compreender os discursos visuais sobre modernização, identidade regional, desenvolvimento e conflito social; catalogar e sistematizar acervos documentais; examinar linguagens e regimes de representação; e analisar a cultura visual como espaço de disputas simbólicas, propaganda, resistência e construção da memória. Como resultados esperados, a pesquisa pretende ampliar o conhecimento sobre a história da cultura visual em Pernambuco, contribuir para os estudos sobre fotografia e audiovisual no Brasil, fortalecer abordagens interdisciplinares voltadas à análise histórica das imagens e promover a organização e difusão de importantes acervos visuais e audiovisuais. Além disso, busca consolidar espaços de formação discente, fomentar projetos de pesquisa, extensão e divulgação científica e ampliar a compreensão das relações entre visualidade, memória e poder na história pernambucana e nordestina do século XX.
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