Projeto de pesquisa, UFPE
Ecologia da Contaminação de Comunidades de Peixes por Microplásticos e Mercúrio em um Estuário Tropical
Descrição
Os estuários são ecossistemas extremamente produtivos, com diversos atrativos e serviços ambientais. Entretanto, os efeitos antropogênicos nos ecossistemas estuarinos geralmente resultam em danos ambientais que, por consequência, afetam diretamente a fauna local em diversos níveis. Um dano ambiental visível é a poluição por resíduos sólidos, dos quais os mais comuns são os plásticos. Uma vez no ambiente, os plásticos se fragmentam em partículas cada vez menores, podendo chegar ao tamanho de microplásticos (< 5 mm). Além dessa fonte, diversos estudos têm verificado que as atividades pesqueiras (inclusive o desgaste e manutenção de redes e cabos de pesca) e efluentes domésticos (fibras de roupas) tem gerado uma grande quantidade de microfilamentos, que também alcançam os estuários. A principal fonte de microplásticos para os estuários são os rios, seguidos de fontes autóctones, levando esses contaminantes dos continentes para o mar. Os microplásticos apresentam altas densidades em estuários, onde estão facilmente disponíveis para a biota. Dentre esses organismos, encontram-se os peixes, os quais apresentam diferentes hábitos alimentares, usos dos habitats estuarinos dependendo da sua fase do ciclo de vida, sendo fortemente influenciados por ciclos sazonais. Se uma fase do ciclo de vida de uma espécie habita um local ou um período no qual os microplásticos se encontram em altas concentrações, as chances de contaminação são aumentadas. Essa contaminação está associada não só a ingestão direta dos microplásticos, mas também aos padrões de dieta das espécies, que muda de acordo com a fase do ciclo de vida. Ao se alimentarem, os peixes podem consumir uma presa previamente contaminada. Os índices de contaminação geralmente aumentam com o nível trófico. Assim, as fases mais desenvolvidas de uma espécies estão mais propícias a serem contaminadas por transferência trófica de microplásticos, pois consomem presas maiores e inteiras. A transferência trófica do microplástico já vem sendo estudada no estuário do Rio Goiana, onde predadores de topo apresentaram maior nível de contaminação na fase adulta, com forte correlação com a ingestão de outros peixes. A ingestão de microplásticos por espécies de importância econômica ou de subsistência, e pode se tornar um problema de saúde pública, caso os microplásticos ingeridos adsorvam poluentes orgânicos ou metais disponíveis no ambiente. Este projeto, que já vem sendo desenvolvido com a auxílio financeiro do CNPq (405818/2012-2/COAGR/PESCA e 404931/2016-2), visa avaliar se os microplásticos ingeridos por diferentes espécies de peixes varia (número, forma, cor etc.) em função das diferentes fases ontogenéticas (juvenil, sub-adulto e adulto), do gradiente de salinidade (superior, médio e inferior) e da variabilidade nos padrões de precipitação (início e final da chuva; início e final da seca). Além disso, irá verificar se o número de microplásticos ingeridos varia com o nível trófico das espécies, independente dos habitats e das estações do ano.
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