Projeto de pesquisa, UFCG
Representações sociais sobre soberania alimentar nas notícias do Portal do MST
Descrição
A alimentação, para além de uma necessidade fisiológica, é um fenômeno psicossocial complexo, moldado por sistemas simbólicos, aspectos culturais, econômicos e psicológicos. Nessa perspectiva, a alimentação se apresenta com um fenômeno psicossocial, que reflete as interações entre indivíduos, grupos e culturas, a relação com os alimentos e a dinâmica entre sociedade e seus meios de produção, armazenamento e distribuição. A alimentação é, ainda, regulada por normas sociais que definem o que e como comer, refletindo processos de identidade e diferenciação social. Entre os problemas sociais mais graves relacionados à alimentação encontra-se a fome e a insegurança alimentar. Um conceito e estratégia de enfrentamento para lidar com essas questões é o da soberania alimentar. Este conceito foi apresentado inicialmente pela Via Campesina e desenvolvido em Fóruns globais por grupos de movimentos sociais e de agricultores. Ele emerge em contraposição ao conceito de segurança alimentar apresentado pela Cúpula mundial sobre alimentação das Nações Unidas. Apesar de ambos visarem o fim da fome, a segurança alimentar acabou por reforçar o monopólio da produção, distribuição e comercialização dos alimentos, implicando em políticas internacionais que tiram a autonomia das nações e povos, afetando sistemas alimentares locais, incentivando a monocultura e o uso de agrotóxicos. Além disso, apesar do aumento da produção de alimentos, esta perspectiva não diminuiu de maneira efetiva a insegurança alimentar. A soberania alimentar, em oposição, visa valorizar os produtores de alimentos, especialmente os pequenos agricultores, os sistemas alimentares regionais, uma relação mais próxima com os consumidores, a preservação ambiental, se baseando na agroecologia. Neste sentido, ela busca a autonomia dos povos e nações na definição do que e como produzir e uma alimentação saudável, culturalmente adequada e sustentável. Assim, soberania e segurança alimentar representam um campo de disputa política e intergrupal em torno da alimentação. A soberania alimentar vem sendo incorporada em discussões internacionais e em programas nacionais, em alguns países como o Brasil. Assim, estudar como o conceito de soberania alimentar tem sido compreendido e representado é de fundamental importância para se entender como a área da alimentação está sendo desenvolvida. No Brasil, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) destaca-se nesse debate, defendendo a soberania alimentar. O MST possui um histórico significativo de atuação na sociedade brasileira, inserindo-se em um contexto de disputa política com o agronegócio e questionando as políticas públicas ligadas à agricultura. Além disso, ele apresenta uma organização midiática que produz materiais direcionados tanto a seus membros quanto à sociedade em geral, sendo pertinente investigar as informações e significados veiculados pelos seus canais de comunicação sobre soberania alimentar. Assim, o objetivo deste projeto é identificar e descrever as representações sociais sobre soberania alimentar nas notícias veiculadas no portal oficial do MST. Este projeto se fundamenta na perspectiva psicossocial da Teoria das Representações Sociais (TRS). Ela busca investigar como o senso comum compreende, constrói significados e se posiciona em relação a objetos sociais, considerando o contexto social e histórico. Na perspectiva da TRS, a comunicação é essencial para a construção e estruturação dessas representações, que, entre outros processos, podem orientar comportamentos individuais e coletivos, além de afirmar a identidade social e a diferenciação grupal. O material a ser analisado consistirá de notícias escritas publicadas no portal do MST. A coleta de dados será realizada por meio do sistema de buscas avançadas do Google, utilizando o descritor "soberania alimentar" com delimitação ao domínio (site) do MST. Para a análise dos dados, será empregada a Classificação Hierárquica Descendente (CHD), processada por meio do programa IRAMUTEQ.
Candidatar-se
Entre na sua conta para enviar uma carta de intenção à coordenação deste projeto.