Projeto de pesquisa, UFCG
SAÚDE DO HOMEM NA ATENÇÃO PRIMÁRIA: CARACTERÍSTICAS EPIDEMIOLÓGICAS DOS PACIENTES DO SEXO MASCULINO ATENDIDOS EM UMA UNIDADE BÁSICA DE SAÚDE DE CAMPINA GRANDE, PB.
Descrição
A saúde do homem constitui um desafio persistente para as políticas públicas, uma vez que o público masculino apresenta um uso restrito e fragmentado dos serviços primários de saúde. Esse distanciamento é reflexo de barreiras socioculturais profundamente enraizadas, onde a construção da identidade masculina, pautada pela invulnerabilidade e pelo papel de provedor, afasta o homem das práticas de autocuidado. Sob essa ótica, faz-se necessária a análise do perfil epidemiológico da população masculina assistida pela Unidade Básica de Saúde Drª Antonieta Rodrigues Veiga Filha, em Campina Grande, Paraíba. Esta unidade atua como um centro de relevância estratégica e representa uma parcela significativa da população local, funcionando como um microssistema das dinâmicas de saúde regionais. No entanto, o acesso a esse serviço é condicionado por dimensões organizacionais críticas, como o fluxo de atendimento rígido, a baixa oferta de serviços em horários compatíveis com a jornada laboral e a localização geográfica da unidade. Esta última barreira conecta-se diretamente à vulnerabilidade econômica, uma vez que o custo e o tempo de deslocamento em áreas periféricas podem atuar como impedimentos reais para a procura pelo serviço de saúde. Ademais, existe uma consolidada cultura de feminização dos serviços de saúde, conforme aponta a literatura recente, decorrente da presença majoritária de mulheres nas unidades. Esse cenário molda o ambiente da Atenção Primária como um espaço simbólico de não pertencimento para o homem, onde o preconceito manifesta-se de forma intragrupal; muitas vezes, o indivíduo que busca atendimento é ridicularizado pelos próprios pares, que associam o cuidado à saúde a uma perda de virilidade. Atualmente, os dados indicam que a parcela masculina que efetivamente frequentam a UBS é composta, em sua maioria, por homens acima de 60 anos, aposentados e portadores de doenças crônicas como hipertensão e diabetes. Tal fato revela que o sistema ainda opera sob um modelo biomédico e assistencialista, focado na cura de patologias instaladas, enquanto negligencia o homem em idade produtiva. Portanto, este estudo justifica-se pela urgência de compreender essas lacunas para elaborar estratégias futuras de acolhimento e busca ativa, garantindo que o sistema de saúde alcance a população masculina de forma integral e preventiva. Palavras-chave: perfil epidemiológico; saúde do homem; UBS.
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