Projeto de pesquisa, UFCG
Uso Indiscriminado de Psicoestimulantes entre Estudantes Universitários da Área da Saúde: um Estudo Quanti-Qualitativo
Descrição
O uso não prescrito de substâncias psicoestimulantes com fins de potencialização do desempenho acadêmico — denominado na literatura como neuroenhancement — constitui um fenômeno de relevância crescente em contextos universitários ao redor do mundo. Fármacos como o metilfenidato e a lisdexanfetamina, originalmente indicados para o tratamento do Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), vêm sendo utilizados sem prescrição médica por estudantes que buscam ampliar a concentração, reduzir o sono e prolongar o tempo de estudo, especialmente nos períodos de avaliações. Paralelamente, substâncias estimulantes nãomedicamentosas — como café, bebidas energéticas e suplementos termogênicos — são amplamente consumidas e frequentemente subestimadas quanto ao seu potencial de risco. Estudantes da área da saúde representam um grupo de particular vulnerabilidade, dada a elevada carga horária, a pressão competitiva e os altos índices de estresse, ansiedade e sintomas depressivos documentados nessa população. Apesar da relevância do tema, a produção científica nacional que investigue de forma integrada a prevalência, as motivações, os efeitos percebidos e o estresse associado ao uso dessas substâncias em estudantes da saúde ainda é escassa, especialmente no contexto do Nordeste brasileiro. Objetivo: Analisar o uso de substâncias psicoestimulantes entre estudantes universitários dos cursos de Medicina, Enfermagem e Psicologia da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), investigando a prevalência e os padrões de consumo, as motivações, os efeitos acadêmicos positivos e colaterais percebidos, a intenção futura de uso, o consumo de substâncias estimulantes não medicamentosas e os níveis de estresse percebido, além das representações sociais e discursos dos estudantes acerca do fenômeno. Metodologia: Trata-se de um estudo exploratório-descritivo, de corte transversal, com abordagem quanti-qualitativa, a ser conduzido na UFCG/campus Campina Grande no período de julho de 2026 a junho de 2027. Participarão estudantes regularmente matriculados nos cursos de Medicina, Enfermagem e Psicologia, com idade igual ou superior a 18 anos, totalizando amostra mínima de 120 participantes por conveniência. A coleta de dados será realizada por meio de questionário estruturado, composto por blocos de caracterização sociodemográfica e acadêmica, investigação do uso de psicoestimulantes medicamentosos e não medicamentosos, aplicação da Escala de Estresse Percebido (PSS-10) — instrumento psicométrico validado para o português brasileiro — e uma questão aberta para a componente qualitativa. As respostas abertas serão submetidas à análise lexical pelo software IRaMuTeQ, com realização de Classificação Hierárquica Descendente (CHD) e análise de similitude. Os dados quantitativos serão analisados pelo IBM SPSS Statistics 29.0, com uso de estatística descritiva, teste qui-quadrado, teste t de Student ou Mann-Whitney, e regressão logística binária, adotando nível de significância de 5%. O projeto será submetido ao Comitê de Ética em Pesquisa (CEP/HUAC-UFCG) previamente ao início da coleta, em conformidade com a Resolução CNS no 466/2012. Resultados esperados: Espera-se identificar prevalência significativa do uso não prescrito de psicoestimulantes entre os estudantes investigados, com maior concentração nos períodos de avaliações e nos cursos de maior carga horária. Antecipa-se correlação positiva entre escores elevados na PSS-10 e maior consumo dessas substâncias, bem como diferenças no padrão de uso entre os três cursos. A análise qualitativa deverá revelar classes discursivas que evidenciem processos de racionalização e normalização do uso, gestão subjetiva de riscos e influência do ambiente acadêmico competitivo sobre as decisões de consumo. Os resultados poderão subsidiar estratégias institucionais de promoção do uso racional de medicamentos, saúde mental e bem-estar estudantil na UFCG. A relevância deste estudo reside na necessidade de compreender os comportamentos relacionados ao uso de substâncias psicoestimulantes entre estudantes universitários, grupo que frequentemente vivencia altos níveis de exigência acadêmica e estresse. O uso ndiscriminado dessas substâncias, tanto medicamentosas quanto não medicamentosas, pode representar riscos à saúde física e mental, além de estar associado a práticas inadequadas de automedicação. Ao investigar o padrão de uso dessas substâncias, seus efeitos percebidos e sua relação com o estresse acadêmico, o presente estudo contribui para uma compreensão mais ampla do fenômeno no contexto universitário. Os resultados poderão subsidiar estratégias institucionais voltadas à promoção da saúde, ao uso racional de medicamentos e à melhoria do bem-estar dos estudantes.
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