Projeto de pesquisa, UFCG
MANOSFERA, MASCULINIDADES E MISOGINIA DIGITAIS: UMA REVISÃO SISTEMÁTICA DA LITERATURA
Descrição
O presente projeto de pesquisa busca realizar uma revisão sistemática da literatura sobre a manosfera, as masculinidades e misoginia digitais em adolescentes e jovens masculinos, considerando as transformações recentes das plataformas digitais, que passaram a ser organizadas por sistemas algorítmicos de recomendação e por dinâmicas parassociais. A manosfera é compreendida como um ecossistema digital formado por comunidades interligadas, como incels, MGTOW, MRAs e PUAs, que compartilham narrativas antifeministas, discursos de vitimização masculina e críticas ao feminismo, sendo potencializadas por algoritmos que ampliam a visibilidade desses conteúdos e favorecem o engajamento contínuo de jovens usuários. Metodologicamente, este estudo caracteriza-se como uma revisão sistemática da literatura, conduzida com base nas recomendações do protocolo Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analyses (PRISMA), com o objetivo de sintetizar evidências científicas sobre a influência das redes sociais nos processos de construção das masculinidades e de radicalização online de adolescentes e jovens do sexo masculino vinculados a comunidades Incels, Red pill e demais grupos pertencentes à manosfera. Serão analisados estudos publicados entre 2008 e 2026 em bases nacionais e internacionais, por meio de abordagem qualitativa. As buscas serão realizadas nas bases de dados Scopus, Google Acadêmico, PsycINFO, SciELO, PubMed, ERIC e CAPES. Serão utilizados descritores em português e inglês, combinados por operadores booleanos (AND e OR), tais como: (“masculinidade” OR “masculinidades” OR “masculinity” OR “masculinities”) AND (“red pill” OR “incel” OR “manosphere” OR “men’s rights”) AND (“social media” OR “social networks” OR “digital platforms” OR“redes sociais”) AND (“radicalization” OR “online radicalization” OR “extremism”) AND (“adolescents” OR “youth” OR “young men” OR “adolescentes”). Serão usados como critérios de inclusão: 1. Artigos científicos publicados entre 2008 e 2026 que abordem diretamente a relação entre redes sociais, plataformas digitais ou ambientes online e a construção das masculinidades e/ou processos de radicalização online; 2. Estudos que analisem comunidades vinculadas à manosfera (Incel, Red Pill, Men’s Rights Activists (MRAs), Men Going Their Own Way (MGTOW), Pick-Up Artists (PUAs)) ou grupos correlatos; 3. Pesquisas empíricas e teóricas, de abordagem qualitativa, quantitativa ou mista, publicadas em português ou inglês, que tratem de adolescentes e jovens do sexo masculino ou populações jovens em geral; e 4. Estudos que investiguem processos psicossociais, cognitivos, culturais e comunicacionais relacionados à construção de identidades de gênero e à exposição a conteúdos misóginos, antifeministas ou extremistas em ambientes digitais. Como critérios de exclusão usar-se-á: 1. Estudos que não abordem diretamente a temática da manosfera, masculinidades digitais ou radicalização online, bem como aqueles que tratem exclusivamente de masculinidade em contextos offline sem relação com ambientes digitais ou redes sociais; 2. Artigos de opinião, editoriais, resenhas não sistemáticas, capítulos de livros e demais publicações sem caráter científico empírico ou teórico consistente; 3. Estudos que não estejam disponíveis na íntegra, duplicatas entre bases de dados, publicações fora do recorte temporal estabelecido e trabalhos que não apresentem população ou discussão relacionada a adolescentes e jovens do sexo masculino; 4. Estudos que abordem o tema de forma apenas tangencial. Os registros recuperados nas bases de dados serão exportados para o software Rayyan, ferramenta amplamente utilizada para o gerenciamento e a triagem de estudos em revisões sistemáticas. Espera-se que essa revisão evidencie a relevância científica das plataformas digitais como fator de risco no discurso de ódio contra a mulher e misoginia digital, na formação de identidades masculinas e radicalização on-line de jovens e adolescentes. Estudos empíricos futuros poderão usar de base a presente revisão com intuito de conhecer o estado da arte e com isso realizar estudos mais aprofundados acerca das variáveis em questão.
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