Projeto de pesquisa, UFCG
RESISTÊNCIA E APAGAMENTO DOS SABERES E PRÁTICAS ANCESTRAIS DE CURA: CAPITALISMO, BRUXAS E CURANDEIRAS.
Descrição
Essa pesquisa pretende contribuir com os estudos sobre resistência e apagamento dos saberes ancestrais de cura, articulando o processo sócio-histórico de caça às bruxas com o surgimento e o desenvolvimento do capitalismo. Desta forma, parte-se do entendimento de que o uso de substâncias psicoativas e plantas medicinais é um fenômeno histórico, desde os xamãs e pajés, nas práticas de cuidado. Entretanto, o surgimento do Estado moderno e a expansão capitalista marginaliza e criminaliza saberes e fazeres das medicinas tradicionais de povos originários, especialmente os praticados por mulheres. Nesse contexto, a caça às bruxas é compreendida não apenas como um episódio de intolerância religiosa, mas como um processo estratégico de controle social e dos corpos das mulheres. Deste modo, busca-se responder à seguinte questão: como o surgimento e o desenvolvimento do capitalismo contribuiu para a perseguição às bruxas, especificamente as curandeiras, e para o apagamento, criminalização e marginalização dos saberes ancestrais de cura? O conhecimento das mulheres nomeadas como bruxas sobre o uso de plantas, cuidados com o corpo e formas de organização comunitária, não estavam alinhadas à lógica de exploração e controle propagadas pelo capitalismo, sendo, portanto alvo de perseguição e políticas de apagamento, epistemicídios. Diante disto, este estudo objetiva analisar como o surgimento e desenvolvimento do capitalismo implicou na caça às bruxas e em consequência gerou o apagamento de saberes ancestrais das curandeiras. Para isso busca-se discutir a relação entre a caça às bruxas e perseguição às práticas de cura realizadas por mulheres; analisar os processos de resistência e apagamento das práticas ancestrais de cura atrelados ao desenvolvimento do capitalismo; discutir como alguns modos ancestrais de cura por meio do uso de plantas e substâncias delas retiradas foram transformados em práticas ilícitas para a sociedade capitalista. O estudo é de natureza qualitativa, com base em revisão bibliográfica de livros e artigos científicos. Utiliza-se do método cartográfico, que permite acompanhar processos históricos e sociais de forma não linear, analisando as relações de poder, os conflitos e as transformações ao longo do tempo. Além disso, adota-se uma perspectiva construcionista, entendendo que a realidade social é construída por meio das relações e discursos, o que possibilita analisar como práticas e sujeitos foram historicamente produzidos como ilegítimos. Espera-se como contribuição ampliar os debates sobre os impactos do fenômeno de caça às bruxas para o processo de criminalização, marginalização e apagamento de saberes ancestrais de cura. O estudo colabora com o campo das ciências sociais e da saúde, ampliando discussões sobre os sistemas de cura; as práticas e resistência das mulheres curandeiras como guardiãs desses saberes; e os processos de epistemicídio que impactam povos originários e a construção de saberes ampliados sobre saúde. Como limitação, entende-se que a revisão bibliográfica não é suficiente para um amplo entendimento sobre o tema, porém permite a prática de iniciação à pesquisa para discentes de graduação, a construção de criticidade no campo da saúde, assim como a preparação para futuros estudos junto à povos e territórios tradicionais.
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