Projeto de pesquisa, UFCG
A RESISTÊNCIA QUE HABITA A SINGULARIDADE: A PSICANÁLISE COMO CRÍTICA AO PROCESSO DE MEDICALIZAÇÃO
Descrição
Essa pesquisa pretende contribuir com os estudos sobre a medicalização do sofrimento psíquico, visto que tal conceito é complexo e amplamente discutido no meio acadêmico, desde áreas da saúde a áreas sociais e humanas. Considerando a expansão das categorias diagnósticas nos manuais de referência na saúde, como o DSM, e a popularização desses termos diagnósticos na população em geral, algumas explicações podem patologizar questões singulares e existenciais do ser humano ou o caráter meramente biomédico de um discurso podem reduzir as dimensões do cuidado em saúde. Tal cenário demonstra a relevância de pensar como algumas perspectivas de tratamento do sofrimento psíquico, podem se alinhar a medicalização e trazer consequências sociais e políticas nas suas práticas e na área da saúde. Dessa forma, temos o intuito de responder à questão da pesquisa: Como a clínica psicanalítica pode oferecer um espaço de resistência teórica e prática ao apagamento da singularidade, restituindo ao sujeito a autoria e a responsabilidade sobre o seu próprio sofrimento? Esse estudo objetiva problematizar os impactos da medicalização do sofrimento psíquico, propondo uma visão psicanalítica crítica à medicalização, centrada na singularidade do sujeito. Para isso, pretende-se: investigar as raízes históricas e epistemológicas das práticas de medicalização e patologização no contexto clínico; demonstrar como a medicalização pode transformar problemas existenciais, sociais e políticos em disfunções neuroquímicas individuais; e analisar como a prática clínica de inspiração psicanalítica pode servir de resistência a esses processos de medicalização do sofrimento psíquico. Como metodologia, o estudo será bibliográfico de caráter teórico, através de uma revisão narrativa da literatura, focando em produções científicas nas bases de dados (LILACS, SciELO, Periódicos CAPES, Index Psicologia e Google Acadêmico) e livros, selecionados conforme a relação entre psicanálise, medicalização, patologização e sofrimento psíquico. A pesquisa fundamenta-se nos estudos críticos da racionalidade biomédica, sob a perspectiva de autores como Georges Canguilhem, Christian Dunker, Ivan Ilich, Vladmir Safatle, a fim de discutir sobre a medicalização social e o modelo biomédico de saúde. Espera-se como contribuição reafirmar uma concepção do ser humano singular atravessada por dimensões sociais, históricas, culturais, políticas, éticas, distante de ser plenamente objetivado e padronizado. Como limites, entende-se que uma revisão narrativa não esgota todas as fontes sobre o tema, mas permite um aprofundamento teórico e crítico da temática.
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