Projeto de pesquisa, UFCG
Projeto de robô lançador inteligente para tênis de mesa: controle adaptativo de dificuldade baseado em inteligência artificial
Descrição
O tênis de mesa é uma das modalidades olímpicas mais praticadas no mundo e exige do atleta a percepção rápida da trajetória da bola e a execução precisa de golpes sob diferentes velocidades, rotações e ângulos de chegada. O treinamento de qualidade depende, em grande parte, da repetição controlada de saques e bolas com características reprodutíveis, o que dificilmente um parceiro humano consegue manter por longos períodos. Máquinas lançadoras de bolas surgem como solução para esse problema, porém os equipamentos comerciais costumam ser caros, importados e operam de forma aberta, isto é, repetem padrões previamente programados sem qualquer adaptação ao desempenho do praticante. Este projeto propõe o desenvolvimento tecnológico de um robô lançador inteligente de bolas de tênis de mesa, de baixo custo e arquitetura aberta, capaz de controlar de forma independente a velocidade, a direção e a rotação (efeito) das bolas lançadas e, sobretudo, de adaptar automaticamente a sequência de lançamentos ao nível e à evolução do jogador. O diferencial central da proposta está na incorporação de inteligência artificial no controle adaptativo do equipamento: um módulo de decisão baseado em aprendizado de máquina ajusta automaticamente os parâmetros de lançamento (velocidade, direção e rotação) para manter o treino sempre em um nível de dificuldade desafiador, mas factível, personalizando a sessão de treinamento. Do ponto de vista de engenharia, o equipamento será construído a partir de um mecanismo de três rodas acionadas independentemente, dispostas em torno de um canal de saída, no qual a combinação das velocidades das rodas determina simultaneamente a velocidade linear e o vetor de rotação da bola. O acionamento, o posicionamento angular do cabeçote e a alimentação automática de bolas serão coordenados por um microcontrolador, integrado a uma unidade de processamento embarcada responsável pelos algoritmos de visão e de inteligência artificial. A metodologia adotada combina prototipagem rápida (modelagem em CAD e impressão 3D), instrumentação eletrônica, desenvolvimento de software embarcado e validação experimental, com calibração dos lançamentos por meio de medições de velocidade e rotação reais. As contribuições pretendidas são tanto tecnológicas quanto científicas. No plano tecnológico, espera-se entregar um protótipo funcional, documentado e replicável, com potencial de proteção por propriedade intelectual e de transferência para o ecossistema esportivo regional, reduzindo a dependência de equipamentos importados. No plano científico, o projeto contribui para o estudo de modelos de predição de trajetória e de políticas de controle adaptativo aplicadas a um sistema físico de baixo custo, em condições reais de operação, com geração de um conjunto de dados de lançamentos e devoluções útil para trabalhos futuros. Como limitações reconhecidas, destacam-se a sensibilidade dos algoritmos de visão às condições de iluminação do ambiente, as tolerâncias mecânicas do protótipo construído com manufatura aditiva e a necessidade de coleta de dados experimentais suficientes para o treinamento dos modelos de aprendizado. Esses pontos orientam tanto a metodologia de validação quanto os possíveis trabalhos futuros, que incluem a ampliação do repertório de efeitos, a integração com aplicativos móveis para acompanhamento do progresso do atleta e a evolução do controle adaptativo para estratégias de treino baseadas em aprendizado por reforço.
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