Projeto de pesquisa, UFCG
CONSTRUÇÃO DE TECNOLOGIA ASSISTENCIAL PARA À CONSULTA DE ENFERMAGEM EM PUERICULTURA DE CRIANÇAS DIANTE DE SINAIS SUGESTIVOS DE TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA
Descrição
A atenção à saúde da criança é uma prioridade mundial, fundamentada nos princípios de proteção integral, promoção da saúde e garantia do desenvolvimento infantil. Nesse contexto, a identificação precoce de alterações no desenvolvimento é fundamental para assegurar intervenções oportunas e melhores desfechos ao longo da vida. Entre as condições que demandam atenção especial destaca-se o Transtorno do Espectro Autista (TEA), caracterizado por déficits persistentes na comunicação e interação social, além de prejuízos na reciprocidade socioemocional e nas habilidades necessárias para desenvolver, manter e compreender relacionamentos interpessoais. Evidências científicas apontam que sinais sugestivos de TEA podem ser identificados ainda na primeira infância ou os 6 primeiros anos de vida, especialmente entre 18 e 24 meses de idade, com alguns indícios podendo surgir entre 6 e 12 meses. Entre os principais sinais observados estão: redução do contato ocular e do interesse por interações sociais, ausência de resposta ao ser chamado pelo nome, dificuldades na comunicação e no compartilhamento de interesses, comportamentos repetitivos e alterações no processamento sensorial. Todavia, o diagnóstico acontece de A identificação precoce desses sinais favorece o encaminhamento oportuno para avaliação especializada, todavia a implementação de intervenções oportunas capazes de potencializar o desenvolvimento infantil e melhorar a qualidade de vida da criança e de sua família é uma estratégia indispensável para promoção da saúde de crianças com alterações do neurodesenvolvimento. Na Atenção Primária à Saúde (APS), a consulta de enfermagem em puericultura diante de suspeita de TEA, representa uma importante ferramenta para o acompanhamento sistemático do crescimento e desenvolvimento infantil, por meio da vigilância dos marcos do desenvolvimento, escuta qualificada das famílias, avaliação clínica da criança, ações de letramento em saúde e instrumentalização para estimulação parental oportuna. Entretanto, estudos evidenciam fragilidades no conhecimento dos profissionais de enfermagem acerca dos sinais precoces do transtorno, bem como dificuldades na utilização de instrumentos de rastreamento, o que pode comprometer a qualidade da assistência prestada e reduzir as oportunidades de intervenção em tempo hábil. Além disso, observa-se a escassez de tecnologias assistenciais específicas que subsidiem a consulta de enfermagem em puericultura voltada ao manejo diante de sinais sugestivos de TEA, o que dificulta a sistematização e padronização das condutas para a tomada de decisão clínica baseada em evidências, e a estimulação cotidiana. Diante dessa realidade, o presente estudo tem como objetivo construir uma tecnologia assistencial, do tipo protocolo, para apoiar à consulta de enfermagem em puericultura de crianças na primeira infância, diante de sinais sugestivos de Transtorno de Espectro Autista, na Atenção Primária à Saúde. Trata-se de uma pesquisa metodológica direcionada à sistematização da prática clínica do enfermeiro na APS. O estudo terá como foco a construção, produção ou desenvolvimento de tecnologia assistencial, fundamentada na estratégia IPAC proposta por Teixeira. Inicialmente, será realizada uma revisão integrativa da literatura, seguindo as recomendações PRISMA, para identificar as evidências científicas relacionadas à consulta de enfermagem em puericultura de crianças diante de sinais sugestivos de TEA, que subsidiará a segunda etapa, de construção de uma tecnologia assistencial do tipo protocolo. Assim, a utilização de um instrumento construído e validado cientificamente poderá promover maior segurança na tomada de decisão clínica, padronização das condutas assistenciais, fortalecimento da integralidade do cuidado e melhoria da assistência prestada às crianças e suas famílias no âmbito da APS. Portanto, espera-se que a tecnologia assistencial desenvolvida possa contribuir para qualificar a consulta de enfermagem em puericultura, a partir da padronização de condutas, orientações e estratégias de estimulação oportuna, e ampliar a capacidade dos enfermeiros em implementar e fortalecer a integralidade e promoção do desenvolvimento infantil saudável.
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