Projeto de pesquisa, UFCG
EPIDEMIOLOGIA DOS ACIDENTES POR ANIMAIS SILVESTRES POTENCIALMENTE TRANSMISSORES DA RAIVA NO BRASIL
Descrição
A raiva é uma doença zoonótica que causa uma encefalite progressiva e fatal, considerada um importante problema de saúde pública mundial. É transmitida principalmente pela saliva de mamíferos infectados pelo vírus da raiva, por meio de mordeduras, arranhaduras ou lambeduras de mucosas. Cães e gatos são os principais transmissores da doença em áreas urbanas; os animais de criação, nas zonas rurais; e os animais silvestres, especialmente morcegos, raposas e saguis, participam dos ciclos enzoóticos da raiva. Nos últimos anos, o Brasil reduziu significativamente os casos de raiva humana transmitida por cães. Entretanto, observa-se a emergência da transmissão por animais silvestres, impulsionada por impactos ambientais. Os acidentes envolvendo animais reservatórios do vírus da raiva devem ser notificados no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN), e os indivíduos expostos devem receber tratamento profilático de acordo com o protocolo nacional. O objetivo da pesquisa será analisar os agravos envolvendo animais silvestres potencialmente transmissores da raiva e as condutas profiláticas adotadas no Brasil. Será realizado um estudo epidemiológico, descritivo, analítico e retrospectivo, utilizando os registros de Atendimento Antirrábico Humano do SINAN, do Ministério da Saúde, no período de 2007 a 2026. Serão analisadas as seguintes variáveis: ano do atendimento; perfil dos acidentados (faixa etária, sexo, escolaridade e grupo étnico); região, Unidade da Federação (UF) de notificação; zona de residência; município de extrema pobreza; características dos agravos (tipo de exposição, localização anatômica, tipo de ferimento e extensão da lesão); espécie de animal silvestre envolvida; tratamento profilático indicado; interrupção do tratamento; e realização de busca ativa pela Unidade de Saúde. Serão calculados os coeficientes de incidência dos acidentes por 100.000 habitantes, segundo o ano e a UF. Também será realizada a distribuição espacial dos casos, considerando a UF de notificação e a espécie animal envolvida. Espera-se que a pesquisa contribua para o conhecimento das áreas de maior ocorrência de acidentes, do perfil dos acidentados e das características dos agravos segundo a espécie animal envolvida, favorecendo a otimização do atendimento clínico, o uso racional e a distribuição adequada de imunobiológicos. Além disso, os resultados poderão subsidiar a formulação de políticas zoossanitárias, ambientais e educativas voltadas à promoção da saúde e à prevenção da raiva.
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