Projeto de pesquisa, UFCG
ANÁLISE CLÍNICO-EPIDEMIOLÓGICA E MANEJO HOSPITALAR DA BRONQUIOLITE VIRAL AGUDA EM LACTENTES EM UMA CIDADE DA PARAÍBA (2017-2024)
Descrição
A bronquiolite viral aguda constitui um dos problemas de saúde pública mais expressivos na pediatria global, estabelecendo-se como a causa principal de hospitalização em lactentes e exercendo um impacto desproporcional sobre os sistemas de saúde. Caracterizada por um processo inflamatório e obstrutivo das vias aéreas inferiores, a doença afeta prioritariamente crianças menores de dois anos, tendo no Vírus Sincicial Respiratório seu agente etiológico central. No cenário brasileiro, o impacto da enfermidade é acentuado por severas iniquidades assistenciais e geográficas. Embora diretrizes internacionais preconizem um manejo essencialmente de suporte básico, restrito à oxigenoterapia, hidratação e aspiração de vias aéreas, a literatura científica documenta uma persistente variabilidade na prática clínica hospitalar, marcada pelo uso excessivo e desnecessário de intervenções farmacológicas e exames de imagem. Essa conjuntura foi intensificada após a pandemia de COVID-19, período em que o relaxamento das medidas de distanciamento social desencadeou o fenômeno da dívida imunológica, culminando em picos históricos de internações pediátricas por formas mais graves da patologia. Frente a essa problemática, este projeto propõe realizar um estudo epidemiológico analítico, quantitativo e de caráter retrospectivo, focado na análise do perfil clínico-epidemiológico e na caracterização do manejo hospitalar da bronquiolite em lactentes menores de um ano de idade. Como ferramenta metodológica central, a investigação utilizará um banco de dados robusto e já consolidado por pesquisas prévias do grupo proponente, abrangendo um censo de 222 registros de internações ocorridas nos anos de 2017 e 2024 em um hospital x de uma cidade da Paraíba. A análise estatística dos dados será realizada por meio de softwares especializados, empregando técnicas descritivas e testes inferenciais de associação para avaliar de que forma as características sociodemográficas dos pacientes e a intensidade das condutas terapêuticas se relacionam com o tempo de permanência hospitalar. As contribuições pretendidas com a execução deste plano de trabalho dividem-se nos eixos científico, assistencial e formativo. Cientificamente, a pesquisa preencherá uma lacuna crítica na literatura ao fornecer dados primários sobre a realidade assistencial do interior do país, superando as limitações de subnotificação das plataformas de informações agregadas. Sob a ótica assistencial, o diagnóstico situacional permitirá mapear a variabilidade das condutas médicas locais, oferecendo subsídios técnicos fundamentados em evidências para que a governança clínica institucional possa revisar seus protocolos e otimizar o dimensionamento de leitos. No âmbito acadêmico, o projeto viabilizará a inserção precoce de um estudante de graduação em Medicina no universo da investigação científica e da bioestatística aplicada. Como limitação metodológica inerente ao desenho do estudo, aponta-se a natureza retrospectiva da coleta, a qual depende estritamente da qualidade e completude dos registros preenchidos pelas equipes assistenciais nos prontuários da época. Como desdobramentos e futuros trabalhos, antecipa-se que este diagnóstico regional servirá de base para o desenvolvimento de estratégias de educação permanente voltadas aos profissionais de saúde locais, além de fundamentar futuras investigações prospectivas focadas no impacto da implementação de novas tecnologias preventivas, como vacinas e anticorpos monoclonais para o controle de infecções respiratórias na infância.
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