Projeto de pesquisa, UFCG
OS TEMAS SENSÍVEIS E OS DIREITOS HUMANOS NA FORMAÇÃO DE PROFESSORES DE HISTÓRIA NAS UNIVERSIDADES PÚBLICAS DO NORDESTE
Descrição
O que é uma questão sensível? O campo utiliza denominações variadas para se referir a esses temas: questões quentes, difíceis, vivas, controversas ou socialmente vivas (MÉVEL; TUTIAUX-GUILLON, 2013). Em uma formulação mais precisa, Tutiaux-Guillon as define como questões carregadas de emoções, politicamente controversas, intelectualmente complexas e socialmente relevantes para o presente e para o futuro comum. Verena Alberti (2014) acrescenta que sua abordagem pedagógica exige o reconhecimento de injustiças históricas cometidas contra grupos e indivíduos — reconhecimento que frequentemente produz tensões entre as narrativas ensinadas na escola e as memórias familiares, comunitárias ou coletivas dos estudantes. Nesse sentido, a escola constitui um dos espaços mais evidentes de disputa em torno da memória, do passado e de suas interpretações. Na América Latina, esse debate adquiriu especial relevância a partir das contribuições da perspectiva decolonial, sobretudo das reflexões de Aníbal Quijano (2005) acerca da colonialidade do poder e do conhecimento. Essas contribuições colocam em questão as formas eurocêntricas de organizar o saber histórico e problematizam os efeitos dessa organização sobre a educação e a formação docente. Ao mesmo tempo, observa-se a intensificação de discursos que reivindicam neutralidade, imparcialidade e objetividade como princípios absolutos do ensino de História, convertendo temas relacionados às desigualdades sociais, às memórias traumáticas e aos direitos humanos em objetos de disputa política. Nesse cenário, os temas sensíveis assumem importância estratégica para a formação de sujeitos comprometidos com a democracia, a justiça social e a defesa dos direitos humanos. Partindo desse contexto, esta pesquisa tem como objetivo investigar como os Projetos Pedagógicos de Curso (PPCs) das licenciaturas em História de universidades públicas do Nordeste incorporam os temas sensíveis e os direitos humanos em suas estruturas curriculares. Mais especificamente, busca-se compreender se esses temas assumem uma função estruturante na formação docente — organizando percursos curriculares, orientando escolhas pedagógicas e articulando diferentes componentes do curso — ou se aparecem predominantemente como elementos de incorporação formal e aditiva, vinculados ao atendimento de exigências normativas sem reorganizar efetivamente os percursos formativos. A pesquisa possui abordagem qualitativa, natureza documental e caráter analítico-interpretativo. O corpus é composto por 14 Projetos Pedagógicos de Curso de licenciaturas em História de universidades públicas nordestinas, além de documentos normativos relacionados à formação docente e à educação em direitos humanos. A análise articula a análise de conteúdo temática, na perspectiva de Bardin (2011), com os estudos críticos do currículo desenvolvidos por Goodson (1995) e Silva (1999), compreendendo os PPCs como expressões de escolhas formativas, disputas institucionais e projetos de formação docente. Espera-se produzir um panorama comparativo da presença dos temas sensíveis e dos direitos humanos nos currículos investigados, identificando padrões de incorporação, ausências recorrentes e diferentes formas de organização curricular. Como contribuição adicional, pretende-se elaborar um conjunto de indicadores analíticos capazes de distinguir uma incorporação predominantemente formal de uma incorporação estruturante desses temas na formação inicial de professores de História, oferecendo subsídios para pesquisas futuras e para processos de revisão curricular.
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