Projeto de pesquisa, UFCG
(RE/DES)SIGNIFICAÇÕES DE ACONTECIMENTOS TRAUMÁTICOS EM DOCUMENTÁRIOS PELO DISCURSO DE TESTEMUNHO
Descrição
Este projeto de pesquisa tem como objetivo compreender o(s) modo(s) de funcionamento de discursos de testemunho formulados por sujeitos-sobreviventes de acontecimentos traumáticos. Para tanto, constituirão o nosso observatório analítico três documentários: Memórias Rompidas – um Ano depois da lama (2016), produzido por Tatiane Fontes; Lama seca (2020), dirigido por Eduardo Savanachi, Juliana Ribeiro e Murillo Constantino; e O vazio que atravessa (2021), produzido e dirigido por Fernando Moreira. Filiando-nos à Análise de Discurso (materialista), entendemos o testemunho, junto a Mariani (2021, p. 20), como “dizeres que se configuram como necessários e emergenciais, urgentes para sujeitos afetados em suas vidas por uma violência imposta”. Nesse caminho, buscaremos ampliar a teorização da noção de testemunho, em sua interface com conceitos basilares da Análise de Discurso; analisar como os sujeitos, ao ocuparem a posição de sobreviventes de acontecimentos traumáticos, significam-nos e (res/des)significam a si mesmos, tendo em conta as possíveis tensões e contradições de seu discurso face ao do Estado, da mídia, de outras instituições, de outros (grupos de) sujeitos; além de averiguar como os sujeitos, da posição de sobreviventes de acontecimentos traumáticos, trabalham a (im)possibilidade de tudo dizer e de tudo lembrar, pelas diferentes materialidades significantes (verbal e não verbal) em dadas condições do memoriável. Portanto, em nossa conjuntura atual, urge a análise e a compreensão desses dizeres, considerando as guerras em curso, os genocídios e catástrofes de diferentes naturezas que afligem os sujeitos. Visando formular um memoriável, os testemunhos são, pois, “tentativas de construir bordas simbólicas para o real, sem, contudo, poder dizê-lo totalmente” (Mariani, 2021, p. 105).
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