Projeto de pesquisa, UFCG
"Não tinha mãos para cultivar tantas plantas": Comissão Científica do Pacífico, comunidades indígenas e saberes médicos conexões internacionais e circulação de saberes
Descrição
Este projeto, aprovado pelo CNPq, Edital 18/2024, objetiva ampliar as reflexões em torno das pluralidades que caracterizam a Comissão Científica do Pacífico (1862-1865), analisando a contribuição dos povos indígenas sul-americanos para a Comissão e investigando as conexões entre os saberes indígenas e botânicos para a seleção e descrição de espécies de plantas medicinais que foram coletadas e enviadas aos museus de ciências naturais e jardins botânicos da Espanha. Nesse contexto histórico-cultural, a botânica era um artefato científico de grande utilidade na política espanhola do século XIX e, dessa forma, foi utilizada como peça fundamental nas reformas sanitárias, tornando-se indispensável no programa de catalogação e envio de vegetais da América do Sul à Espanha pela Comissão Científica do Pacífico. Trata-se de uma pesquisa que investiga a viagem da Comissão Científica do Pacífico como um território de contatos, construção, apropriação e circulação de novos conhecimentos botânicos a partir das experiências indígenas, problematizando, assim, os trânsitos de conhecimento e as redes transnacionais que se formaram a partir das zonas de contato entre os integrantes da Comissão e os povos originários. Como fontes principais de pesquisa, recortamos os diários dos botânicos Juan Isern e Marco Jimenez de la Espada, notas de trabalho, cartas enviadas a Madrid pelos membros da Comissão, rascunhos de cartas, fotografias, desenhos e cadernos de viagem. Em termos metodológicos, faremos uma leitura das fontes a partir de uma abordagem que problematiza a relação centro-periferia e analisaremos como os saberes indígenas circularam, dialogaram, conectaram, entraram num circuito de negociação e ganharam espaços nos documentos dos viajantes e nas exposições promovidas pelo Museu de Ciências Naturais de Madrid. Por meio dessa abordagem metodológica inspirada em Kapil Raj (2015; 2017; 2023), refletiremos sobre como as práticas de uma medicina indígena e de sua biodiversidade circularam nos diários e documentos da Comissão e como esta se apropriou dos saberes e práticas de cura indígenas e de conhecimento sobre as ervas medicinais, plantas diversas, animais e natureza.
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