Projeto de pesquisa, UFCG
“Escovar a história a contrapelo”: a desconstrução da concepção de progresso técnico na filosofia de Walter Benjamin
Descrição
O projeto analisa a crítica de Walter Benjamin à concepção de progresso técnico sustentada pelo conformismo da socialdemocracia. Os defensores dessa ideologia concebem a história humana numa perspectiva linear, segundo a qual a revolução que levaria os seres humanos a uma situação de igualdade de direitos resultaria de um processo natural. Tomando como ponto de partida a concepção de “escovar a história a contrapelo”, presente nas Teses Sobre o conceito de história, escritas em 1940 no contexto de ascensão do nazi-fascismo, a pesquisa busca compreender em que sentido o pessimismo benjaminiano se refere a um “aviso de incêndio” sobre as consequências desse progresso sobre o potencial emancipatório das massas. A hipótese inicial é a de que o inevitável avanço tecnológico, no entender de Benjamin, não estava a serviço da emancipação das massas oprimidas. Para verificar a consistência dessa hipótese, o estado da arte busca aprofundar a crítica ao historicismo, que aceita a ideia de que a humanidade encontra-se em constante progresso para o melhor e demonstrar como Benjamin propõe outro caminho para a compreensão da história humana, tomando como fontes o romantismo alemão, o messianismo judaico e o marxismo. Para o desenvolvimento dessa perspectiva, o projeto se desenvolverá a partir de dois eixos: a) a oposição entre as concepções de “tempo vazio”, que serve aos vencedores, e o “tempo de agora” (Jetztzeit), que se caracteriza por uma concepção de temporalidade fragmentária; b) através da leitura da alegoria do Angelus Novus, segundo a qual enquanto a modernidade vê um encadeamento de fatos, o anjo da história vê a formação de uma única catástrofe, que se acumula, uma sobre a outra, formando as ruínas da modernidade. Por uma estratégia metodológica, a pesquisa tem como característica a abordagem qualitativa através do método dedutivo, que permitirá partir de uma perspectiva mais geral do pensamento filosófico benjaminiano, que é a sua opção pelo ensaio e as constelações, para chegar a uma perspectiva mais específica em sua filosofia, que é o conceito de “escovar a história a contrapelo”. A análise dos textos de Benjamin será orientada a partir de críticos e intérpretes como Jeanne Marie Gagnebin, Michael Löwy, Susan Buck-Morss, Katia Muricy, Leandro Konder e Flávio Kothe. Como resultado, espera-se possibilitar a/ao pesquisadora/or iniciante compreender que a filosofia da história em Benjamin pode oferecer uma contribuição fundamental para a crítica do fascismo.
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