Projeto de pesquisa, UFCG
O uso de redes sociais na adolescência e seus impactos psicossociais
Descrição
O presente projeto tem como objetivo investigar os efeitos do engajamento em mídias sociais digitais na saúde mental de adolescentes. A adolescência representa uma fase de intensas transformações emocionais, cognitivas e sociais, sendo marcada por maior vulnerabilidade a influências ambientais. Com a popularização dos smartphones, o uso cotidiano de redes como Instagram e TikTok tornou-se parte central das práticas de socialização, despertando crescente interesse científico quanto às suas possíveis implicações psicológicas. A literatura nacional e internacional ainda apresenta resultados controversos sobre o impacto das redes sociais. Enquanto alguns estudos identificam correlações entre o uso problemático dessas mídias e sintomas de depressão, ansiedade e baixa autoestima, outros apontam efeitos positivos, como a facilitação da conexão social e o fortalecimento de vínculos. Revisões sistemáticas destacam que o impacto varia conforme a intensidade, tipo de uso e características individuais dos usuários, exigindo maior aprofundamento empírico. A ausência de consenso reforça a necessidade de pesquisas que considerem simultaneamente indicadores positivos (como satisfação com a vida e conexão social) e negativos (como ansiedade, depressão, estresse e solidão). O projeto propõe avaliar esses efeitos em uma amostra de 220 adolescentes entre 12 e 17 anos, recrutados em escolas, por meio de amostragem não probabilística. A coleta ocorrerá presencialmente em ambiente escolar, com aplicação individual de questionários em sala de aula. Participarão apenas os adolescentes que apresentarem o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) assinado pelos responsáveis, além do próprio Termo de Assentimento. A aplicação será conduzida por pesquisadora treinada, em conformidade com os princípios éticos da Resolução nº 466/12 do Conselho Nacional de Saúde. Serão utilizadas as seguintes medidas psicométricas: Escala DASS-12 para avaliar depressão, ansiedade e estresse; Escala de Solidão da UCLA; Questionário de Engajamento em Mídias Sociais (SMEQ); Escala de Autoestima de Rosenberg; Escala de Satisfação com a Vida (ESV); e Escala de Conexão Social. Os instrumentos foram validados para o Brasil e demonstram bons índices de consistência interna. As análises serão realizadas com o software JASP, incluindo estatísticas descritivas, testes de correlação e regressões lineares para investigar as associações e o poder preditivo das variáveis estudadas. Também serão verificadas possíveis diferenças nos indicadores psicológicos em função de variáveis sociodemográficas como idade, sexo e identidade étnico-racial. Considerando o contexto de alta exposição digital entre adolescentes e as lacunas observadas na literatura, sobretudo em regiões menos estudadas como o sertão nordestino, este estudo visa contribuir com dados empíricos relevantes para o campo da psicologia do desenvolvimento, saúde coletiva e políticas públicas voltadas ao bem-estar juvenil em contextos digitais.
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