Projeto de pesquisa, UFCG
Desenvolvimento de um Sistema de Diagnóstico do Estresse Térmico em Ovinos Baseado em Termografia Infravermelha e Padrões Térmicos Corporais
Descrição
As mudanças climáticas têm intensificado a ocorrência de eventos de estresse térmico em sistemas de produção animal, especialmente em regiões semiáridas, onde elevadas temperaturas e intensa radiação solar comprometem o bem-estar, a saúde e o desempenho produtivo dos rebanhos. Na ovinocultura, o estresse térmico representa um dos principais fatores limitantes da produtividade, tornando necessária a adoção de ferramentas que permitam monitorar e diagnosticar precocemente as respostas dos animais às condições ambientais adversas. Nesse contexto, a termografia infravermelha destaca-se como uma tecnologia não invasiva capaz de avaliar a temperatura superficial corporal em tempo real, fornecendo informações relevantes sobre os mecanismos de dissipação de calor e adaptação térmica dos animais. Apesar dos avanços científicos relacionados ao uso da termografia na produção animal, ainda existem limitações quanto à interpretação dos dados obtidos e à disponibilidade de sistemas específicos capazes de diagnosticar automaticamente o estresse térmico em ovinos criados sob condições do Semiárido brasileiro. Dessa forma, o presente projeto tem como objetivo desenvolver e validar um sistema de diagnóstico do estresse térmico em ovinos baseado em termografia infravermelha e análise de padrões térmicos corporais. O estudo será conduzido com ovinos das raças Soinga, Santa Inês e White Dorper, mantidos em sistema de confinamento no Semiárido paraibano. Os animais serão submetidos a testes de tolerância ao calor, nos quais serão avaliadas as temperaturas superficiais corporais antes da exposição ao estresse térmico, imediatamente após a exposição à radiação solar e após um período de recuperação em ambiente sombreado. As imagens termográficas serão obtidas por meio de câmera infravermelha e analisadas em diferentes regiões corporais, incluindo cabeça, pescoço, costado, coxa, membros anterior e posterior e flanco. Adicionalmente, serão considerados fatores como raça, sexo e turno de avaliação, visando identificar padrões térmicos associados à capacidade termorregulatória dos animais. Os dados coletados serão organizados em um banco de informações termográficas que servirá de base para a identificação de indicadores capazes de classificar diferentes níveis de estresse térmico. A partir dessas informações, será desenvolvido um modelo de diagnóstico baseado nos padrões de temperatura superficial observados nas diferentes regiões corporais. Espera-se identificar as áreas anatômicas mais sensíveis às alterações provocadas pelo calor, bem como diferenças entre grupos genéticos quanto à capacidade de dissipação de calor e recuperação térmica. Como resultado, pretende-se disponibilizar uma ferramenta tecnológica capaz de auxiliar o monitoramento do bem-estar animal e apoiar a tomada de decisões em sistemas de produção ovina. A tecnologia proposta poderá futuramente ser incorporada a softwares, aplicativos móveis ou sistemas automatizados de pecuária de precisão, contribuindo para o manejo térmico dos rebanhos, a seleção de animais mais adaptados às condições do Semiárido e a redução dos impactos das mudanças climáticas sobre a produção animal. Além de sua relevância tecnológica, o projeto contribuirá para a geração de conhecimento sobre os mecanismos de adaptação térmica da raça Soinga, recurso genético recentemente reconhecido e ainda pouco estudado sob condições de estresse térmico.
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