Projeto de pesquisa, UFCG
Adaptabilidade ao Estresse Térmico em ovinos de diferentes raças e sexos Submetidos ao Teste de Tolerância ao Calor confinados no Semiárido paraibano
Descrição
A ovinocultura desempenha papel fundamental no desenvolvimento socioeconômico do Semiárido brasileiro, entretanto, as elevadas temperaturas características da região, associadas ao agravamento das mudanças climáticas globais, representam um dos principais desafios para a sustentabilidade dos sistemas de produção animal. O aumento da frequência e intensidade dos eventos de calor pode comprometer o bem-estar dos animais, reduzir a produtividade e afetar a eficiência dos sistemas pecuários, tornando essencial a identificação de genótipos mais adaptados às condições ambientais adversas. Nesse contexto, a adaptação ao estresse térmico tem se tornado uma característica estratégica para a ovinocultura moderna, especialmente em regiões semiáridas. Animais capazes de manter o equilíbrio fisiológico mesmo sob temperaturas elevadas apresentam maior potencial produtivo, melhor desempenho reprodutivo e maior resistência às condições climáticas extremas. Dessa forma, a avaliação da tolerância ao calor surge como uma importante ferramenta para subsidiar programas de melhoramento genético, conservação de recursos genéticos e desenvolvimento de sistemas de produção mais resilientes. O presente projeto tem como objetivo avaliar a adaptabilidade ao estresse térmico de ovinos das raças Soinga, Santa Inês e White Dorper, de ambos os sexos, submetidos ao teste de tolerância ao calor em sistema de confinamento no Semiárido Paraibano. A pesquisa busca identificar diferenças fisiológicas entre os grupos avaliados e determinar quais apresentam maior capacidade de adaptação às elevadas temperaturas características da região. A metodologia será baseada na aplicação do teste de tolerância ao calor, amplamente utilizado em estudos de bioclimatologia animal para avaliar a eficiência dos mecanismos de termorregulação. Serão monitorados parâmetros fisiológicos considerados indicadores confiáveis da resposta ao estresse térmico, especialmente a frequência respiratória e a temperatura retal. As avaliações serão realizadas antes da exposição ao calor, imediatamente após o período de estresse térmico e após um intervalo de recuperação, permitindo analisar tanto a intensidade da resposta fisiológica quanto a capacidade dos animais de restabelecer seu equilíbrio térmico. A proposta apresenta relevância científica por ampliar o conhecimento sobre a resposta fisiológica de diferentes grupos genéticos ovinos às condições ambientais do Semiárido brasileiro. Destaca-se especialmente a inclusão da raça Soinga, um recurso genético recentemente reconhecido e ainda pouco estudado sob o ponto de vista da adaptação climática. A comparação com raças amplamente utilizadas na produção de carne ovina permitirá gerar informações inéditas sobre seu potencial adaptativo e sua contribuição para sistemas produtivos sustentáveis. Os resultados esperados poderão auxiliar pesquisadores, técnicos e produtores na identificação de animais mais tolerantes ao calor, fornecendo subsídios para programas de seleção genética voltados à adaptação às mudanças climáticas. Além disso, as informações geradas poderão contribuir para a elaboração de estratégias de manejo mais eficientes, promovendo melhorias no bem-estar animal e na produtividade dos rebanhos. Como limitação, o estudo será conduzido em condições específicas de confinamento e ambiente semiárido, o que pode restringir a extrapolação dos resultados para outros sistemas produtivos e regiões climáticas. No entanto, os dados obtidos servirão como base para futuras pesquisas envolvendo diferentes categorias animais, condições de manejo e indicadores fisiológicos complementares. Espera-se que o projeto contribua para o fortalecimento da ovinocultura brasileira, promovendo a utilização de recursos genéticos adaptados e aumentando a sustentabilidade dos sistemas de produção diante dos desafios impostos pelo aquecimento global.
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