Projeto de pesquisa, UFCG
EXTRAÇÃO DA PECTINA DO MELÃO PARA PRODUÇÃO DE FILME BIODEGRADAVEL
Descrição
Com o aumento da geração de resíduos agroindustriais e a crescente preocupação com os impactos ambientais decorrentes do descarte inadequado de embalagens plásticas tem-se a procura por materiais sustentáveis obtidos a partir de fontes renováveis. Nesse contexto, os biopolímeros naturais destacam-se como alternativas promissoras para o desenvolvimento de embalagens biodegradáveis, especialmente devido à sua capacidade de degradação natural e menor impacto ambiental. Entre esses biopolímeros, a pectina tem recebido grande atenção por suas propriedades gelificantes, espessantes, estabilizantes e formadoras de filmes, possibilitando sua aplicação em diferentes setores industriais, com destaque para a indústria de alimentos. Dessa forma, a casca do melão amarelo (Cucumis melo L.) apresenta elevado potencial de utilização. O presente trabalho será realizado com o objetivo de extrair pectina da casca e entrecasca do melão amarelo e aplicá-la na produção de filmes biodegradáveis destinados a possíveis aplicações como embalagens alimentícias. A pectina extraída será caracterizada quanto ao rendimento, peso equivalente, teor de metoxila, teor de ácido anidrourônico e grau de esterificação, parâmetros fundamentais para avaliar sua qualidade e potencial de aplicação industrial. Além disso, serão realizadas análises físico-químicas, incluindo determinação de umidade, cinzas, pH e atividade de água, bem como caracterização estrutural por espectroscopia no infravermelho com transformada de Fourier (FTIR), permitindo a identificação dos principais grupos funcionais presentes na estrutura do biopolímero. Após a caracterização da pectina, serão desenvolvidos filmes biodegradáveis por meio da técnica de moldagem por evaporação do solvente. As formulações serão compostas pela pectina extraída da casca do melão, quitosana glicerol e ácido tânico. A quitosana será utilizada devido às suas propriedades filmogênicas e antimicrobianas, enquanto o glicerol atuará como plastificante, proporcionando maior flexibilidade aos filmes. O ácido tânico será empregado como agente de reforço estrutural, podendo contribuir para melhorias nas propriedades mecânicas e de barreira. Os filmes produzidos serão avaliados quanto às propriedades físicas, mecânicas e funcionais. Dessa forma, a pesquisa contribuirá para o desenvolvimento de materiais biodegradáveis sustentáveis, alinhados aos princípios da economia circular e da valorização de resíduos agroindustriais. Além dos benefícios ambientais relacionados à redução do uso de plásticos derivados do petróleo, o estudo poderá gerar impactos econômicos e tecnológicos, incentivando o aproveitamento integral do melão e ampliando o conhecimento científico sobre novas fontes de pectina e suas aplicações na área de embalagens alimentícias.
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