Projeto de pesquisa, UFG
Quem construiu a matriz de Santa Ana da Vila Boa de Goyaz na década de 1740?
Descrição
A América Latina colonial abrigou, em seus canteiros de obras, diversos sistemas, regimes e modalidades de trabalho para produzir suas arquiteturas. Em determinadas regiões predominou o trabalho indígena, cujos regimes e modalidades de trabalho variaram segundo as tradições pré-coloniais e as demandas coloniais. Essas variações incluíam a adaptação dos sistemas tributários pré-coloniais, aldeamentos religiosos, administração particular, entre outras. Em outras regiões predominou o trabalho de pessoas africanas e afro-brasileiras escravizadas, cujo emprego em obras também variou quanto à modalidade: ao ganho, aluguel, coartação, entre outras. Na região de Goiás parece ter havido um encontro singular dessas tendências, já que a colonização foi promovida, em grande medida, por paulistas e bandeirantes – alguns deles grandes administradores particulares de indígenas –, mas demandou trabalho escravizado africano para desenvolver as atividades extrativistas minerais. Quais trabalhadores e quais regimes de trabalho predominaram nos canteiros de obras públicas? Embora sejam escassos os registros documentais, evidências arquitetônicas apontam para a possibilidade de ter havido emprego de mão de obra indígena em obras importantes, como a Matriz de Santa Ana, na antiga Vila Boa de Goiás. O presente projeto pretende investigar essa e outras possibilidades correlacionadas, a fim de promover uma compreensão mais detalhada a respeito da composição laboral dos canteiros de obras coloniais na região, especialmente na fase de formação da capitania (1740 a 1750), podendo estender-se sobre as décadas subsequentes.
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