Projeto de extensão, UFPE
Identidade e Resistência: Cartografando os Movimentos Sociais da UFPE
Descrição
O projeto de extensão tem como objetivo mapear, analisar e disseminar as práticas, narrativas e formas de organização dos movimentos sociais presentes no espaço universitário. Parte-se da compreensão de que a universidade constitui um território de produção de saberes, disputas simbólicas e articulações políticas, no qual os movimentos sociais atuam como sujeitos coletivos capazes de produzir transformação social, conforme destacado por Touraine (2006), ao compreender os movimentos como atores centrais na construção da sociedade contemporânea. Nesse sentido, dialoga-se com a produção teórica brasileira que compreende os movimentos sociais como espaços de ação coletiva, participação política e construção da cidadania, especialmente no campo educacional (GOHN, 2016). A universidade, nesse contexto, não é apenas um espaço institucional, mas um campo de tensões e resistências, no qual emergem novas formas de militância e organização coletiva (AMARAL, 2014), articuladas às dinâmicas mais amplas da sociedade em rede (CASTELLS, 2013). A proposta também se fundamenta na compreensão da extensão universitária como prática de interação dialógica entre saber acadêmico e saber popular, contribuindo para processos de resistência e transformação social (BURGINSKI; CARIAGA, 2019). Nessa perspectiva, os movimentos sociais universitários são compreendidos como produtores de conhecimento e memória, cujas trajetórias e experiências constituem elementos fundamentais para a formação política e social dos sujeitos (OLIVEIRA, 2023). Do ponto de vista teórico, o projeto articula a noção de identidade cultural como processo dinâmico e em constante construção (HALL, 2006), bem como a compreensão das relações entre poder e saber, nas quais os discursos e práticas sociais são atravessados por mecanismos de controle e resistência (FOUCAULT, 1979). Soma-se a isso a crítica à colonialidade do poder, que evidencia a persistência de hierarquias sociais e epistemológicas na produção do conhecimento (QUIJANO, 2005), aspecto fundamental para compreender as desigualdades presentes no ambiente universitário. Considera-se a centralidade da informação e da comunicação na organização dos movimentos sociais contemporâneos, inseridos em um contexto de capitalismo informacional e indústria cultural, no qual a produção e circulação de informações tornam-se elementos estratégicos de poder e resistência (BOLAÑO, 2000). Tal perspectiva reforça a importância de iniciativas que visem à democratização da informação e à construção de acervos públicos acessíveis. Metodologicamente, o projeto adota a cartografia social como abordagem qualitativa, com uso de entrevistas, observação participante e registros audiovisuais, articulados à construção de um acervo digital aberto. As ações incluem o mapeamento dos coletivos, a sistematização de dados e a produção de conteúdos informacionais e científicos. O público beneficiado envolve a comunidade acadêmica e externa, com foco na promoção dos direitos humanos, da diversidade e da democratização da informação. Como resultados, espera-se a consolidação de um repositório público de memória social, o fortalecimento dos movimentos sociais universitários e a formação crítica dos estudantes, contribuindo para a ampliação da extensão universitária como prática transformadora e para o aprofundamento das relações entre universidade e sociedade, em consonância com uma perspectiva interdisciplinar e comprometida com a justiça social (ADOUE, 2023).
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