Projeto de extensão, UFPE
A VOZ QUE EMPODERA: ATENDIMENTO FONOAUDIOLÓGICO PARA PESSOAS TRANS E TRAVESTIS
Descrição
Transgênero é um grupo diversificado, que diverge dos comportamentos esperados para o sexo que lhes foi determinado ao nascimento. O homem transgênero é aquele que nasceu com a genitália feminina, mas se identifica psico e socialmente como homem, a mulher transgênero nasceu com genitália masculina e se identifica como uma mulher. Assim, mulheres transgênero buscam a feminilização da voz e homens transgênero, a masculinização da voz (THORNTON, 2008). A população transgênero busca um perfil de comunicação oral que atenda as demandas sociais vigentes e os permita serem reconhecidos com o gênero que se identificam (DRUMMOND, 2009), evitando constrangimentos e situações de transfobia. A Fonoaudiologia tem tido um papel importante no desenvolvimento da voz da dessas pessoas, partindo da premissa que o ajuste da voz trará uma nova imagem vocal para a pessoa transgênero, pode refletir no aumento da confiança, conforto e funcionalidade em suas vidas (DAVIES, 2015). Existe uma demanda crescente desse público na clínica fonoaudiológica, possibilitando vários estudos que visam compreender esse indivíduo e atender as suas necessidades (AZUL, 2016). Eles podem sofrer o efeito de sobrecarga na voz no uso de estratégias vocais para mudar sua apresentação de gênero A terapia vocal em pessoas transgênero visa ajustar a suas vozes com a identidade de gênero. Partindo do princípio que a voz é um marcador importante de identidade de gênero, sendo um parâmetro que vai influenciar também na confirmação social e emocional do transgênero, é fundamental ações voltadas a contribuir para que essas pessoas se sintam confortáveis no uso de suas vozes, integradas ao gênero que se identificam (VILKMAN, 2004). A voz precisa ser ouvida não apenas como produção sonora, ou seja, de forma literal, mas também a partir de sua dimensão biopsicossocial, nos múltiplos sentidos que traz a comunicação oral, nas situações formais e informais de uso. O uso da voz advém de um aprendizado e esse uso exige adequação às situações de existência social. Esse aprendizado ocorre em um contexto social e emocional e a ele está condicionado. A voz sempre deve ser compreendida a partir da função social e emocional de que está imbuída (ARAÚJO; BALATA, 2015). O projeto de extensão A VOZ QUE EMPODERA: ATENDIMENTO FONOAUDIOLÓGICO PARA PESSOAS TRANS E TRAVESTIS tem como objetivo promover o aperfeiçoamento da comunicação vocal para homens transgênero e mulheres transgênero e travestis, de forma a proporcionar um empoderamento no uso de sua voz, ou seja, voz saudável e ajustada a sua identificação de gênero. O projeto tem um alcance social significativo, atendendo a uma população em condição de vulnerabilidade, com garantia do direito à saúde, para o enfrentamento das iniquidades. Há nessa ação o compromisso com ações transformadoras para essa população, no âmbito local, a partir da parceria com a Diretoria LGBT, e regional, voltadas para o interesse e necessidades desse grupo populacional, considerando que nosso propósito está voltado a contribuir para a superação das desigualdades sociais que muitas vezes o Homem transgênero sofre em função da imagem que deseja passar pra sociedade, ou seja, ter uma voz que corresponda a sua escolha de gênero, assim poderemos contribuir para que ele tenha uma melhor qualidade de vida. Os impactos técnico-científico do projeto são identificados pela oportunidade dos alunos de fonoaudiologia se apropriarem de conhecimentos específicos de uma área ainda carente de estudos no Brasil (Transgêneros), além disso identificamos uma contribuição importante para o estudante no que diz respeito a sua formação pessoal e social, considerando que esse grupo populacional é considerado vulnerável, precisa ser acolhido, pois a garantia ao atendimento à saúde é uma prerrogativa de todo cidadão e cidadã brasileiros, respeitando-se suas especificidades de gênero, raça/etnia, geração, orientação e práticas afetivas e sexuais. O atendimento a população será feito através de atendimento presencial para a populaçao transgênero que mora na região metropolitana de Recife, de forma individual e também em atedimentos em grupo. As sessões de atendimento individual acontecerão uma vez na semana com duração de 20 minutos com horários agendados e pré-estabelecidos, os atedimentos em grupo acontecerão uma vez por semana, com grupos formados de 8 participantes, com duração de 60 min por encontro, perfazendo um total de 8 encontros. O atendimento será conduzido pela professora orientadora do projeto, e acompanhado pelos alunos. Os alunos serão fundamentais na organização das agenda de atendimento, nos registros dos procedimentos usados nos atendimentos e em monitorar a interação dos trans atendidos durante o atendimento. Ou final de cada atendimento, será realizada uma breve avaliação de como ocorreu o mesmo pelas percepções dos alunos participantes. Os alunos poderão nesse momento discutir as estratégias terapêuticas empregadas e apontar observações feitas no momento do atendimento. A equipe/instituições envolvidas: (1) alunos e professores do curso de Fonoaudiologia, (2) NÚCLEO LGBT da UFPE, que favorece a inserção da comunidade LGBT , (3) Serviço de Fonoaudiologia - área de voz do Hospital das Clínicas, (4) Núcleo de Atenção Integral à População negra e LGBT de Jaboatão dos Guararapes.
Candidatar-se
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