Projeto de extensão, UFG
Cum versare: Inclusão e acessibilidade
Descrição
O projeto CUM VERSARE: Inclusão e Acessibilidade constitui uma iniciativa de extensão vinculada ao Núcleo de Acessibilidade do Câmpus Goiás da Universidade Federal de Goiás (UFG), articulada às discussões desenvolvidas pelo Grupo de Pesquisa Educação no Cerrado e Cidadania (GPECC), especialmente no âmbito da linha de pesquisa “Educação Especial na perspectiva inclusiva na Educação Básica e Superior: inclusão e acessibilidade”. Em sua formulação inicial, o projeto surgiu da necessidade de ampliar as possibilidades de participação dos estudantes com deficiência na vida universitária, compreendendo que a inclusão acadêmica não se limita ao acesso ao currículo, à disponibilização de recursos ou à eliminação de barreiras físicas, comunicacionais, pedagógicas, tecnológicas e atitudinais. A construção de uma universidade efetivamente inclusiva pressupõe também a criação de espaços de formação, diálogo e participação, nos quais diferentes sujeitos possam discutir as condições de acesso, permanência e participação no ensino superior. Ao longo de seu desenvolvimento, o CUM VERSARE amplia sua proposta inicial e passa a se constituir como um espaço de articulação entre extensão, pesquisa e formação, aproximando as experiências produzidas no cotidiano universitário das discussões acadêmicas desenvolvidas pelo GPECC. Nesse movimento, os encontros do projeto passam a funcionar como uma extensão das atividades da linha de pesquisa “Educação Especial na perspectiva inclusiva na Educação Básica e Superior: inclusão e acessibilidade”, criando possibilidades de circulação do conhecimento produzido no âmbito da pesquisa e, simultaneamente, de incorporação de questões emergentes da experiência universitária às discussões acadêmicas. A educação inclusiva constitui um processo histórico, político, epistemológico e social que não pode ser reduzido ao cumprimento de dispositivos legais ou à implementação isolada de mecanismos de acessibilidade. A construção de uma universidade inclusiva implica revisar os modos pelos quais a instituição organiza seus espaços, produz conhecimento, estabelece relações, define formas de participação e reconhece os diferentes sujeitos que a constituem. Diversos autores, ao discutirem a educação inclusiva, ressaltam justamente seu caráter transformador. Eizirik (2005), ao recorrer à metáfora da guerra, evidencia a complexidade e os conflitos envolvidos na construção de uma mentalidade inclusiva. Mantoan (2006), por sua vez, utiliza a imagem de caminhar sobre o fio da navalha para expressar o embate, a resistência e a ruptura epistemológica implicados na construção de uma escola aberta a todos. Forest e Lusthaus (1987), mediante a metáfora do caleidoscópio, apresentam a inclusão como uma composição na qual diferentes elementos participam da constituição de um todo que se transforma continuamente. Essas perspectivas permitem compreender que a inclusão não consiste simplesmente na inserção de sujeitos historicamente excluídos em estruturas que permanecem inalteradas. Ao contrário, pressupõe a transformação das próprias estruturas, relações e concepções que historicamente produziram processos de exclusão. Por essa razão, a acessibilidade deve ser compreendida em sentido amplo, envolvendo dimensões arquitetônicas, comunicacionais, pedagógicas, curriculares, atitudinais, tecnológicas, informacionais e relacionais. Nesse contexto, a atuação do Núcleo de Acessibilidade assume uma dimensão que ultrapassa a mediação de recursos destinados ao acompanhamento acadêmico. A eliminação de barreiras educacionais constitui elemento fundamental de sua atuação, mas a efetivação da inclusão universitária demanda também iniciativas que promovam formação, reflexão crítica, produção de conhecimento e participação da comunidade acadêmica nas discussões sobre deficiência e acessibilidade. É nesse movimento que se insere a nova etapa do CUM VERSARE. O projeto passa a organizar-se prioritariamente por meio de palestras, debates, rodas de conversa e encontros formativos, estabelecendo uma relação mais direta entre as atividades de extensão e as discussões desenvolvidas pelo GPECC. A proposta busca constituir um espaço de interlocução entre estudantes, docentes, pesquisadores, técnicos-administrativos e demais integrantes da comunidade universitária, possibilitando a discussão de temas relacionados à deficiência, acessibilidade, inclusão, permanência, participação, direitos humanos, educação e produção de conhecimento. A participação dos estudantes com deficiência permanece como elemento importante do projeto, não apenas enquanto público das atividades, mas como sujeitos que podem contribuir para a formulação das questões debatidas, para a problematização das práticas institucionais e para a construção coletiva de conhecimentos sobre a universidade inclusiva. O projeto compreende, ainda, que a deficiência não pode ser analisada de maneira isolada. As experiências relacionadas à inclusão são atravessadas por diferentes dimensões sociais, culturais, econômicas, territoriais, geracionais e identitárias. Dessa maneira, a proposta incorpora uma abordagem transversal da interseccionalidade e do debate sobre identidades, compreendendo a inclusão como fenômeno complexo e multidimensional. A continuidade do CUM VERSARE representa, assim, não apenas a manutenção de uma iniciativa anteriormente desenvolvida, mas sua progressiva ampliação e consolidação enquanto projeto de extensão, formação e produção de conhecimento sobre inclusão e acessibilidade. Trata-se de aproximar as discussões acadêmicas das experiências concretas da universidade e, ao mesmo tempo, fazer com que essas experiências contribuam para a construção de novas questões, perspectivas e possibilidades no campo da educação especial na perspectiva inclusiva. Embora a linha de pesquisa contemple tanto a Educação Básica quanto a Educação Superior, o CUM VERSARE concentra suas ações no contexto universitário, especialmente nas questões relacionadas ao acesso, à permanência, à participação e à acessibilidade de estudantes com deficiência no ensino superior. Dessa forma, o projeto contribui para aproximar as discussões mais amplas da Educação Especial na perspectiva inclusiva das especificidades e dos desafios encontrados na Educação Superior.
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