Projeto de extensão, UFG
Fun Farra: Piloto
Descrição
É fato que há contradições e particularidades quando se analisam as estatísticas que se referem à juventude e o que ela defende, mas é bastante perceptível que há um desencanto desses grupos quanto à realidade social onde vivem. Quando observamos a adesão dos estudantes aos movimentos sociais que os representam, nos deparamos com a indiferença quase que absoluta: o movimento estudantil, por exemplo, não parece representar o corpo discente das universidades, ao passo que os discentes não sentem a necessidade de serem representados. Além disso, temos observado que a adesão das pessoas mais jovens aos movimentos sociais pauta-se nas perspectivas conservadoras que explicam a realidade. Embora esses conservadorismos sejam plurais e contraditórios, não é exagero afirmar que o discurso conservador tem capturado a atenção dos jovens com mais assertividade. Um dos incômodos que sinto, como professora na universidade pública é a apatia dos estudantes com pautas que são urgentes. Na Faculdade de Educação, por exemplo, temos um universo majoritariamente feminino que não discute o feminismo e a função do cuidado que a sociedade instituiu à mulher. Nos movimentos que reivindicam direitos - como no caso da última greve -, as estudantes não se sentem responsáveis e, portanto, não participam das ações que lhes dizem respeito. Diante desse cenário, tenho buscado alternativas para chamar-lhes a atenção para a necessidade de que precisam se movimentar para que a realidade concreta se transforme. Ou seja, não é suficiente compreender o que acontece; é preciso agir sobre os incômodos, que não desaparecem sozinhos. Não vejo outra forma de sensibilizar os estudantes e a comunidade externa à universidade se não for com a arte. Daí a proposta de organizar uma fanfarra ativista. O horizonte que agora proponho é de que a música acústica e as intervenções cênicas nas praças e na rua, somadas à proposta pedagógica histórico-crítica de Saviani possam incomodar a sociedade a ponto de, no mínimo, fazê-la refletir sobre as próprias contradições.
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