Projeto de pesquisa, UFRRJ
EFEITOS DA ADMINISTRAÇÃO DE NIMESULIDA EM DIFERENTES MOMENTOS ASSOCIADA AO TREINAMENTO RESISTIDO SOBRE A FUNÇÃO CARDÍACA EM MODELOS DE ISQUEMIA-REPERFUSÃO.
Descrição
A lesão de isquemia-reperfusão (I/R) constitui um processo determinante na fisiopatologia do dano miocárdico, no qual a restauração do fluxo coronariano pode intensificar a injúria tecidual por meio de mecanismos como estresse oxidativo, sobrecarga de cálcio intracelular e ativação da resposta inflamatória (Yellon; Hausenloy, 2007), onde ocorre liberação de mediadores como citocinas pró-inflamatórias (TNF-α, IL-1β e IL-6), além de eicosanóides derivados da via da ciclooxigenase, como prostaglandinas e prostaciclina, bem como ativação de metaloproteinases da matriz (MMPs), que contribuem para a degradação da matriz extracelular e agravamento do dano estrutural (Spinale, 2007). O treinamento resistido (TR) tem sido descrito como uma estratégia não farmacológica capaz de induzir adaptações cardioprotetoras (Powers et al., 2014), aumentando a resistência do miocárdio frente a insultos isquêmicos. Paralelamente, a lesão de isquemia-reperfusão está fortemente associada a um intenso processo inflamatório, que promove a ativação de mediadores e fatores proteolíticos, como as metaloproteinases da matriz (MMPs), responsáveis pela degradação da matriz extracelular e agravamento do dano tecidual. Nesse contexto, a modulação farmacológica da inflamação, especialmente por meio da inibição da ciclooxigenase-2 (COX-2) (Ricciotti; FitzGerald, 2011), pode reduzir a ativação dessas vias proteolíticas, contribuindo para a preservação estrutural do miocárdio e atenuação da lesão cardíaca. A nimesulida, um anti-inflamatório não esteroidal com ação preferencial sobre a COX-2 (Rainsford, 2005), pode influenciar a resposta do miocárdio durante a reperfusão (Turer; Hill, 2010). No entanto, ainda não está claro como seus efeitos interagem com adaptações induzidas pelo exercício físico, nem se a administração prévia ou pós-lesão é capaz de mitigar os efeitos da lesão isquêmica. Considerando que a isquemia-reperfusão envolve ativação de citocinas inflamatórias e metaloproteinases da matriz (MMPs), sugere-se que a nimesulida possa modular essas vias e reduzir o dano tecidual. Em modelos de isquemia cerebral, o fármaco demonstrou efeito neuroprotetor associado à modulação inflamatória (Candelario-Jalil et al., 2004), o que reforça a hipótese de efeito semelhante no miocárdio. Dessa forma, o presente estudo tem como objetivo investigar os efeitos da administração de nimesulida durante a fase de reperfusão sobre a função cardíaca em um modelo experimental de I/R, além de observar a interação do treinamento resistido com o tratamento farmacológico durante as sessões de treinamento e no período pós-lesão de I/R. Para isso, ratos Wistar serão distribuídos em seis grupos experimentais: controle (CTRL), controle + nimesulida no Langendorff (CTRLN), treinado por cinco dias (TRE), treinado por cinco dias + nimesulida no Langendorff (TREN), treinado com administração concomitante de nimesulida (COMB) e treinado com administração concomitante de nimesulida + nimesulida no Langendorff (COMBN). Após o protocolo, os corações serão isolados e perfundidos no sistema de Langendorff, sendo submetidos à isquemia global seguida de reperfusão. Os corações dos grupos CTRLN, TREN e COMBN, após a isquemia, serão perfundidos com solução contendo nimesulida. Serão avaliados parâmetros funcionais cardíacos, como a pressão desenvolvida do ventrículo esquerdo, frequência cardíaca e pressão diastólica final, além da extensão do dano tecidual por meio da determinação da área de infarto. O projeto será desenvolvido com o apoio do Laboratório de Fisiologia e Desempenho Humano (LFDH) e do Laboratório de Fisiologia e Farmacologia Cardiovascular (LFFC / ICBS - DCFis), da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro. Ambas as unidades dispõem de estrutura física, equipamentos e equipe capacitada para execução dos protocolos cirúrgicos, farmacológicos e experimentais propostos. Os animais serão fornecidos pelo biotério de criação do Departamento de Ciências Fisiológicas (DCFis) em quantidade estabelecida durante a submissão/aprovação do mesmo à Comissão de Ética em Pesquisa Animal do Instituto de Ciências Biológicas e da Saúde da UFRRJ.
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