Projeto de pesquisa, UFRRJ
Distribuição de heparinas com diferentes estruturas e potências anticoagulantes ao longo do intestino bovino.
Descrição
A heparina é um anticoagulante amplamente utilizado há quase um século, sendo essencial em procedimentos médicos que exigem rápida e eficaz redução da coagulação sanguínea, como cirurgias cardíacas e hemodiálise. Apesar da ampla utilização das heparinas de baixo peso molecular (LMWHs) e dos anticoagulantes orais, a heparina não fracionada (UFH), especialmente a intravenosa, ainda é considerada o padrão-ouro pela sua potência e rapidez de ação. A UFH é um glicosaminoglicano (GAG) extraído de tecidos de mamíferos, predominantemente do intestino suíno, e apresenta atividade anticoagulante pela inativação da trombina (FIIa) e do fator Xa (FXa), por meio da potencialização da antitrombina (AT) e do cofator II da heparina (HCII). No entanto, a dependência quase exclusiva da UFH suína (HPI) representa um risco ao abastecimento global, sendo que aproximadamente 80% da produção vem da China. Em alguns países, como Brasil, Argentina e Índia, a heparina bovina (HBI) é utilizada, mas sua menor atividade anticoagulante limita seu uso como substituta da HPI. Recentemente, estudos conduzidos por nossa equipe revelaram que a HBI é composta por duas frações estruturalmente distintas, que podem ser separadas por cromatografia de troca iônica: BHF1, com baixa atividade anticoagulante e potencial antimetastático, e BHF2, com propriedades anticoagulantes e de segurança equivalentes às da HPI. A identificação e caracterização dessas frações, especialmente da BHF2, trazem perspectivas promissoras para diversificar e estabilizar a produção de heparinas a partir da obtenção de uma heparina bovina equivalente à suína. Paralelamente, sabe-se que a composição de GAGs varia entre os diferentes segmentos do intestino bovino, refletindo adaptações dos mastócitos ao microambiente local. Análises preliminares indicam diferenças estruturais relevantes entre as heparinas extraídas de segmentos como duodeno, ceco e cólon. Com base nisso, este projeto propõe investigar se as frações BHF1 e BHF2 estão distribuídas de forma segmentada no intestino bovino, o que poderia otimizar sua produção farmacêutica.
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