Projeto de pesquisa, UFRRJ
Ecologia trófica de comunidades aquáticas em ambientes temporários: estrutura, dinâmica e implicações para o ciclo de vida de peixes anuais Neotropicais
Descrição
1. Descrição resumida O projeto investiga a sucessão ecológica em ambientes aquáticos temporários (brejos e poças) no Estado do Rio de Janeiro, com foco nas interações entre zooplâncton, macroinvertebrados aquáticos e duas espécies de peixes Rivulidae anuais ameaçadas de extinção: Notholebias minimus e Leptopanchax opalescens. O estudo busca compreender como as comunidades aquáticas se estabelecem a partir das primeiras precipitações sazonais em poças previamente ressecadas, avaliando a densidade de zooplâncton e macroinvertebrados, seus papéis como bioindicadores da qualidade da água e a importância como presas e predadores ao longo dos diferentes estágios ontogenéticos dos peixes. Serão identificados os predadores naturais dessas espécies e investigadas as transições tróficas, entre os papéis de presa e predador, ao longo do hidroperíodo. A hipótese central é que a sucessão das comunidades zooplanctônicas e de macroinvertebrados segue padrão temporal sincronizado com o desenvolvimento de N. minimus e L. opalescens, com a disponibilidade de presas variando em cada estágio ontogenético dos peixes. Espera-se também que a composição zooplanctônica reflita variações na qualidade da água entre diferentes sítios amostrados, funcionando como indicadora da integridade ecológica dos habitats. As coletas serão realizadas entre janeiro e abril de 2026 e 2027, em áreas de ocorrência das espécies no campus da UFRRJ e em outras localidades fora do campus onde estes rivulídeos já foram registrados. A sucessão dos invertebrados e o desenvolvimento dos peixes serão avaliados em três fases do hidroperíodo: 1) Fase de colonização inicial, do 1º ao 14º dia após as primeiras precipitações; 2) Fase de desenvolvimento da comunidade, do 15º dia ao final do segundo mês; e 3) Fase de maturação e senescência do hidroperíodo, do terceiro mês até a seca completa do ambiente. Serão coletadas amostras de zooplâncton e sedimento em diferentes profundidades das poças, com triagem, identificação microscópica e quantificação dos organismos em câmara de Sedgwick-Rafter. O crescimento dos peixes será monitorado por biometria ao longo de todas as fases do desenvolvimento: ovo, larva, juvenil e adulto. Os dados serão analisados por meio de métodos estatísticos uni e multivariados. Os resultados ampliarão o conhecimento sobre a ecologia, distribuição e biologia das espécies destes rivulídeos no estado do Rio de Janeiro, fornecendo subsídios para o Plano de Ação Nacional para a Conservação dos Rivulidae (PAN Rivulidae), instrumento oficial de planejamento coordenado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Viabilidade executiva e fonte de financiamento: As atividades de laboratório serão desenvolvidas no Laboratório de Ecologia de Peixes (LEP/UFRRJ), onde atuam os pesquisadores envolvidos no projeto. O LEP dispõe dos equipamentos necessários para a execução das análises e conta com financiamentos do CNPq (Proc. 305712/2020-9 – Bolsa de Produtividade 1-A) e da FAPERJ (Proc. E-26/204.114/2024 – Cientista do Nosso Estado), que asseguram o suporte financeiro para o desenvolvimento da pesquisa. O projeto está inserido no Diretório de Grupos de Pesquisa do CNPq, intitulado Ecologia de Peixes de Sistemas Aquáticos Costeiros e de Águas Interiores da Região Neotropical (http://dgp.cnpq.br/dgp/espelhogrupo/583246), Linha de Pesquisa, Ecologia de Peixes em Áreas Úmidas Temporárias (http://dgp.cnpq.br/dgp/espelholinha/81693524070476061370773).
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