Projeto de pesquisa, UFRRJ
A Juventude no olho do furacão: identidades, ação política e organizações de juventude no Brasil
Descrição
A pesquisa A Juventude no olho do furacão: identidades, ação política e organizações de juventudes no Brasil (Grupo de Pesquisa Juventude e Participação Política, Identidades e Representação Social/GPJUVE/UFRRJ/ GT Infancias y Juventudes – Clacso/ Red Iberoamericana de Estudios sobre Participación y Activismos Juveniles - RIEPAJ) tem como objetivo analisar as construções de identidades, percepções e agendas políticas das juventudes no Brasil a partir dos anos 2000, no intuito de compreender a participação política juvenil no Brasil e em diálogo com países da América Latina. Para tal, temos mapeado e analisado as formas de organização nacionais que se denominam como juventude, em formatos de coletivos, movimentos sociais e/ou formas de representação menos formais; suas agendas, repertórios de ação e formas de inserção; e como a representação juvenil se expressa nos espaços formais do Governo Federal, e no Parlamento. Nosso foco é observar a autopercepção da juventude em diferentes espaços de atuação, e a efetivação da sua incidência nas políticas públicas e direitos, em especial, a partir da criação da Secretaria Nacional de Juventude (SNJ) e do Conselho nacional da Juventude (CONJUVE) no Brasil, em 2005. Assim como, em diálogo com as constantes mudanças na cena política brasileira, em especial nos últimos 10 anos. O Projeto de pesquisa, que teve início em 2018, acompanha, assim, três importantes eixos para uma análise da participação política juvenil no Brasil, na sua história recente: 1) políticas públicas, direitos das juventudes e sua institucionalização; 2) a representação em espaços formais como na condição de parlamentares e/ou em instância governamentais; 3) a organização juvenil em coletivos e/ou movimentos sociais O Projeto desenvolve um trabalho de formação intensiva de jovens pesquisadores integrando graduação e pós-graduação, promovendo um trabalho de “jovens pesquisando jovens”. O exercício tem permitido a valorização do olhar dos próprios jovens sobre o levantamento e análise do material coletado. Os estudantes desenvolvem todas as etapas de uma pesquisa e sua divulgação. Técnicas de netnografia, monitoramento de conteúdos de redes sociais, levantamento de dados estatísticos, manuseio e análise da base da atuação legislativa, levantamento de informações biográficas e de organizações e movimentos sociais, treinamento das etapas e realização de entrevistas, revisão bibliográfica. A produção decorrente do projeto valoriza a participação dos estudantes na apresentação de trabalhos em eventos científicos e publicação. Desde 2018, 16 estudantes de graduação e 4 de pós-graduação participaram/participam desta experiência. Atualmente 9 estudantes de graduação, 3 de pós-graduação e 1 egresso compõem o GPJUVE/UFRRJ. Os estudantes de graduação, com bolsa de IC e voluntários, tiveram trabalhos aprovados para o Congresso Brasileiro de Sociologia (20º 7/2021, 21º 7/23, 22º 7/2025), RAIC e jornadas em outras universidades. No ano de 2026 os alunos ativos no projeto tiveram trabalhos aprovados no XXXV Congresso Latino-Americano de Sociologia (7/2026 – Rio de Janeiro). Serão apresentados dois trabalhos de divulgação dos resultados do projeto, um em co-autoria com a coordenadora e os dois estudantes de IC de 2025 Pedro Henrique Silva (IC/FAPERJ) e Tony Souza (IC/CNPq UFRRJ), e um segundo trabalho inscrito pelo atual bolsista de IC Bernardo Faria Santos (IC/CNPq/UFRRJ), em co-autoria com 4 estudantes que ingressaram recentemente no grupo. O investimento de formação se estende para além da UFRRJ. Em 2023 o estudante Tony Souza Bolsista de IC foi selecionado para o Programa Estágio-Visita de Curta Duração Câmara dos Deputados (Coordenação de Educação para a Democracia - Centro de Formação – out/2023). Realizamos 3 publicações internacionais em co-autoria com a então bolsista PIBIC – Raphaella Oliveira e o estudante voluntário Thiago Rico (Castro, Oliveira e Rico, 2022) e um capítulo na publicação Jóvenes, Estado y Acción Colectiva. Lecturas generacionales de la política en el contexto pandémico” (Castro, Oliveira e Rico, 2024). Uma terceira produção em co-autoria com os estudantes de graduação e pós-graduação Juventudes no Olho do Furacão e a representação na Câmara dos Deputados publicado pela Fundação Frerich Ebert (Castro, Lima, Souza, et al, 2024). Três estudantes que atuaram como bolsista ou voluntário realizaram os seus TCCs sobre a temática juventude ou em diálogo com o tema. A coordenadora oferta disciplinas para a graduação que trabalham o tema que conta com o engajamento dos alunos do projeto, bem como eventos com a atuação dos estudantes na organização. O Projeto promove assim o aprofundamento do estudo na temática juventude e a formação em métodos de pesquisa, produção de relatórios e produção de textos finais para publicação. A professora Severine Carmen Macedo (Educação/UERJ), especialista em políticas públicas passou a integrar como pesquisadora nosso projeto de pesquisa permitindo uma troca institucional e interdisciplinar. Ambas integram a REDEJUVE, que articula mais 150 pesquisadores brasileiros que trabalham o tema. Como inserção internacional o Grupo de Pesquisa Juventude e Participação Política, Identidades e Representação Social/GPJUVE/UFRRJ compõe o GT Infancias y Juventudes – Clacso e atuação na pesquisa Juventudes: asignatura pendiente: Participación política de las juventudes en América Latina y el Caribe Fundação Frerich Ebert, realizado em 2024 em 14 países da América Latina. Desde 2025 a coordenadora passou a integrar a Red Iberoamericana de Estudios sobre Participación y Activismos Juveniles - RIEPAJ/AIUP. A temática juventude é central na medida em que as muitas concepções que se entrecruzam definem olhares, estigmas, pertencimentos, inclusões e exclusões sociais e a atuação do poder público. A pesquisa tem mapeado e analisado as formas de organização, representação e ação política das juventudes contribuindo para um painel da participação política das juventudes no Brasil a partir dos anos 2000. Bem como seu diálogo/incidência sobre a agenda e efetivação de políticas públicas. Tem promovido uma análise sobre a proposição, formulação e efetivação de políticas públicas de juventude, observando as formas de participação das juventudes nesses processos institucionais no âmbito federal. Observamos o acionamento de construções de representação atravessam configurações formais, como as representações parlamentares, e que incorporam as novas tecnologias, como o uso intenso de redes sociais. Os repertórios acionados dialogam com a construção de identidades políticas e articulam novas e tradicionais formas de mobilização. Um amplo espectro de “filiação política” se faz observar nos últimos 20 anos, incluindo mais recentemente expressões políticas juvenis da denominada extrema direita, no Brasil e na América Latina. A filiação partidária e/ou atuação em organizações e coletivos, se entrecruzam com perspectivas progressistas ou anti-progressista. Ou ainda, que se denominam conservadoras. Agendas em disputa se avolumam, como a legitimidade da ciência, dos regimes de governança, valores, crise climática em um cenário de policrises. Observamos, assim, uma disputa presente no cenário nacional e da região que atravessa as juventudes e que tem incidido sobre os rumos da democracia. Metodologia e desenvolvimento. O mapeamento cruzado observando jovens de movimentos sociais e coletivos, jovens que se candidatam a eleições parlamentares e ainda as polícias públicas e formas institucionais da representação no aparato do governo federal, permite analisar a configuração recente. Desde o início da pesquisa realizamos: 1) um mapeamento das políticas públicas e formas institucionalizadas das políticas públicas de juventude dos governos Fernando Henrique Cardoso à Bolsonaro. Como fontes utilizamos dados organizados em produção bibliográfica reconhecida sobre o tema, levantamento das políticas públicas de juventude accessíveis em meio digital e sites oficiais, os Planos Plurianuais (PPA), análise de formas participativas de gestão que incluem a juventude, a institucionalização de políticas públicas e direitos para a juventude, dentre outros. E iniciamos o acompanhamento das Políticas Públicas do Governo Lula 2023-2026 (Castro, Oliveira e Rico, 2024); 2). Em outro eixo realizamos o acompanhamento das eleições 2018 e 2022, observando jovens candidatos e eleitos para a Câmara dos Deputados. Como fonte o grupo de pesquisa acompanhou jovens candidatos no processo eleitoral nas redes sociais. No ano de 2023 e 2024 realizamos o levantamento dos dados eleitorais e perfis do TSE e formamos um banco de dados e análise, e acompanhamento de 12 parlamentares eleitos e eleitas para estudo de caso. (Castro, Lima, Souza, et al, 2024; Castro, 2024). 3. Está em curso o desenvolvimento do Plano de trabalho Mapeamento e análise de representação e organização juvenil no Brasil em 2025 (IC/2024-2025), que trata do levantamento das principais organizações que hoje engajam nacionalmente as juventudes, em organizações e coletivos juvenis. E Mapeamento e análise de representação e organização de jovens parlamentares da legislatura 2023-2026 que irá produzir um mapa das organizações nas quais se engajam os 12 parlamentares jovens que acompanhamos da atual legislatura. (IC-Volunt.2024-2025). A continuidade do projeto pretende: 1) Retomar o trabalho de monitoramento do processo eleitoral para a Câmara dos Deputados, legislatura e análise dos primeiros meses do mandato de parlamentares eleitos 2027-2030. 2) Realizar um balanço do CONJUVE, e acompanhar e analisar as políticas públicas para a juventude no governo Lula 2023-2026, dando continuidade ao mapa das políticas públicas; As fontes estão disponíveis para consulta online o que viabiliza a realização do projeto. Recorte analítico a ser priorizado será o aprofundamento da perspectiva interseccional e um olhar específico para as agendas em disputa em diferentes matizes políticas. O mapeamento e análise continuada da participação política juvenil permite um olhar mais denso para as identidades políticas das juventudes, agendas e incidências, bem como um aprofundamento teórico-metodológico da compreensão dos sentidos e formas de mobilização política no Brasil e na América Latina.
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