Projeto de pesquisa, UFRRJ
As transformações sociais nos “sertões de Macacu”: novas dinâmicas agrárias e agrícolas no Centro-Norte Fluminense após o fim da escravidão (1888-1940)
Descrição
Esta pesquisa procura analisar as principais transformações sociais na região Centro-Norte Fluminense, em especial, nos municípios de Nova Friburgo e Cantagalo, entre os anos de 1888 e 1940, no contexto crucial de crise da economia cafeeira e de transição do trabalho escravo para o livre no Brasil. É preciso conhecer mais sobre as soluções encontradas pelos fazendeiros para o problema da crise da cafeicultura e da mão-de-obra e as estratégias dos libertos e dos trabalhadores rurais para manterem sua autonomia e seus direitos de propriedade neste momento de incertezas e de conquista da liberdade. A historiografia já atentou para a questão da inserção social dos libertos no mundo rural do Sudeste após a emancipação, com valiosas discussões sobre as especificidades do mundo do trabalho e suas relações em torno dos significados de cidadania e dos direitos civis e políticos. Acreditamos que podemos contribuir para este debate focalizando as diversas disputas em torno do acesso à terra, assim como os conflitos originados pela extração da renda da terra e do trabalho nestas unidades de produção agrícola que buscavam contornar o problema da crise do escravismo, partindo da (nova) dinâmica dos contratos de trabalho entre fazendeiros e trabalhadores nos “sertões de Macacu”. Além disso, buscaremos comparar este mercado de trabalho rural nesta região oriental do Vale do Paraíba, pouco estudada pela historiografia em relação à parte ocidental do Vale, com outras regiões do país. Avaliaremos também como estas transformações à nível local também podem ser iluminadas a partir do contexto regional, nacional e até internacional, principalmente se estamos preocupados em entender como a crise do café afetou as relações comerciais com os Estados Unidos no período entre as duas guerras mundiais (1914-1945). Para a execução do projeto de pesquisa, coletamos diferentes fontes históricas reunidas nos arquivos e fontes disponibilizadas na internet. Processos judiciais, documentos administrativos, jornais, atas, dentre outras variedades de fontes históricas, já foram coletadas no final de 2025 e início de 2026. Em termos metodológicos, unindo a micro e a macro-história, realizaremos um jogo de escalas para entender como estas transformações podem ser analisadas à nível local, estadual e internacional. Separando duas frentes de pesquisa, propomos dois planos de trabalho para a transcrição dos processos judiciais (o nível micro da pesquisa envolvendo as relações de trabalho nas fazendas) e a tabulação das manchetes e notícias dos jornais (o nível macro da investigação envolvendo as transformações agrárias, agrícolas e comerciais) ao longo da execução do projeto. Ao identificarmos uma lógica singular do campo fluminense a partir de uma realidade empírica circunscrita e recortada, poderemos refinar as discussões teóricas sobre êxodo rural, migrações camponesas e relações de trabalho no campo que nos permitam rever algumas explicações clássicas sobre a realidade brasileira naquele período histórico.
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