Projeto de pesquisa, UFRRJ
O pensamento social e político brasileiro vinculado aos movimentos das classes populares
Descrição
O projeto delimita como objetivo maior investigar o pensamento social e político brasileiro que pode se observar em documentos de diversas entidades populares ligadas ao mundo do trabalho. Entende-se que os movimentos sindicais e sociais protagonizados por nossas classes populares são um dos espaços de ancoragem social de atividade intelectual e de interpretações a respeito do Brasil. A diminuta consideração das classes subalternizadas nos mapeamentos do pensamento brasileiro chama atenção inclusive face à própria história das nossas Ciências Sociais: fundadores da sociologia nacional como Florestan Fernandes e Guerreiro Ramos têm trajetórias e reflexões sobre o país marcadas por diálogos e engajamentos de diferentes níveis e tensões com o movimento negro e seus acúmulos intelectuais. Do mesmo modo, pode-se citar a invisibilização de mulheres que são intelectuais e ativistas. Metodologicamente, a pesquisa ora esboçada pode realçar as redes de sociabilidade intelectual como instâncias habilitadoras, não apenas limitantes nas quais se perspectivam modos consistentes de pensar o país. Ademais, deve permitir que o insulamento institucional da Academia, a relativa autonomia dos intelectuais e os marcadores sociais (de classe, raça, gênero e outros) das camadas intelectualizadas sejam adequadamente considerados nas pesquisas sobre o pensamento brasileiro, de modo a evitar uma história elitista – menos democrática, portanto –das ideias. Por fim, o exato dimensionamento da agência das classes populares na produção do pensamento social e político subsidiará, esperamos, a elaboração de um balanço crítico dos desafios sociais e democráticos que atualmente enfrentamos no país. A revisão cuidadosa de quais intelectuais e ideias foram visibilizados ou invisibilizados no pensamento brasileiro auxiliará na compreensão científica das inúmeras assimetrias que caracterizam nossa sociedade. A pesquisa demanda poucos recursos, visto ser gratuito o acesso aos acervos do AMORJ-IFCS-UFRJ. A fonte de financiamento imediata consiste na bolsa de iniciação científica ora pleiteada ao PIBIC-UFRRJ; fontes de financiamento prolongado já estão sendo buscadas junto aos órgãos de fomento conhecidos.
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