Projeto de pesquisa, UFRRJ
A transformação da Zona Portuária da cidade do Rio de Janeiro em Porto Maravilha: Consumo Cultural e Marketing Público por meio da análise do Samba e do Charm na Pedra do Sal
Descrição
A Zona Portuária do Rio de Janeiro sofreu ampla intervenção urbana desde 2011, e foi renomeada como Porto Maravilha, área privilegiada para pesquisas sócio-históricas sobre consumo cultural e marketing público. A região é um polo de atividades culturais fincado em uma área histórica, mantendo uma rica tapeçaria de expressões culturais sincréticas e diversas, enraizadas nas mais antigas tradições africanas, como é possível observar no samba, capoeira, candomblé e umbanda. Tem vários lugares que desempenham um papel crucial na disseminação do patrimônio material e imaterial afro-brasileiro, por meio da criação de uma forma singular de turismo cultural que associa a memória urbana à cultura urbana, uma tendência registrada em diferentes partes do mundo. Assim a ZP é uma unidade de análise privilegiada para o consumo de mercadorias culturais e das estratégias de marketing territorial. Neste projeto, delimitaremos a pesquisa nos estilos de vida dos consumidores que forjam uma representação do que se chamaria de “carioca da gema [autêntico]” por meio das suas experiências com o samba e o charm, estilos musicais muito asociados àquele território. Para esse fim, pode-se eleger a Pedra do Sal e partir da perspectiva histórica no marketing para compreendê-la como um lugar de memória, conceito proposto por Nora (1993) que permite discutir os territórios em disputa cultural e econômica, e que possuam uma marcante dimensão simbólica e social. Por essa perspectiva, as análises propostas nesse trabalho se apoiam no conceito de lugar de memória associado ao conceito de autenticidade para refletir sobre a articulação contemporânea que engendra aspectos identitários. Em conjunto com a perspectiva histórica no marketing, o “lugar de memória” e a “autenticidade” são proposições notáveis para analisar como as práticas e representações sociais atuais podem ser fruto de processos evolutivos, que definem as práticas de uma dada cultura. A Pedra do Sal, com sua história de resistência, de criação do samba e da preservação de práticas culturais afro-brasileiras, personifica o conceito de quilombo urbano, um lugar de resiliência e afirmação cultural que se adapta e perdura ao longo do tempo. Especificamente para o trabalho de pesquisa a ser desenvolvido, considera-se que grande parte dos eventos de entretenimento em torno da Pedra do Sal esteja relacionada ao mercado musical, com três estilos distintos associados às práticas e representações da cultura negra no Rio de Janeiro: samba, funk e charme. A Pedra do Sal é um marco da dimensão artística da cidade, com forte expressão musical associada à cultura afro-brasileira e conectada à polifonia multicultural da cidade. Do ponto de vista teórico, a observação das práticas e representações é profícua e oportuna, pois territórios podem ser tratados pela literatura cruzada sobre marcas e marketing, articulando noções embrionárias de Marketing Público, identidade e patrimônio. Assim espera-se produzir informações relevantes e inovadoras que possam resultar em insumos para gestores públicos, empreendedores locais, pesquisadores das Ciências Sociais Aplicadas, população local, incluindo crianças e jovens do ensino básico e do ensino médio.
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