Projeto de pesquisa, UFRRJ
FORTALECIMENTO DA AGROECOLOGIA E DA PRODUÇÃO ORGÂNICA FAMILIAR FAVORECENDO A ECONOMIA CIRCULAR E O USO RACIONAL DE NUTRIENTES DERIVADOS DE RESÍDUOS AGROINDUSTRIAIS
Descrição
O Brasil é o quarto maior produtor de alimentos do mundo, ficando atrás apenas da China, dos Estados Unidos e da Índia. Entretanto essa produção robusta é dependente da importação de cerca de 90% dos fertilizantes. Isso torna a produção brasileira pouco sustentável. Quando se trata de agricultura orgânica, de acordo com a Lei 10.831 (Brasil, 2003) outros desafios são incluídos, uma vez que há proibição do uso de fontes sintéticas, nacionais e importadas. Entre as alternativas, temos a fixação biológica de nitrogênio (FBN) e a reciclagem de nutriente através do uso de resíduos agroindustriais e resíduos da mineração (remineralizadores). Quanto a FBN, a adubação verde com uso de leguminosas fixadoras de nitrogênio do ar atmosférico é uma opção, porém é raramente adotada pelos agricultores. Isso ocorre porque as unidades familiares, normalmente, possuem pequenas dimensões territoriais dificultando a compatibilização no tempo e no espaço de espécies para adubação verde e de culturas de interesse econômico. Quanto aos resíduos agroindustriais, estes estão definidos pela Lei nº 12.3051 (Brasil, 2010) que institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos. Contudo, existem várias limitações tais como: odor desagradável; excesso de umidade; falta de padronização e a presença de contaminantes químicos (ex. metais pesados) e contaminantes biológicos (ex. bactérias termotolerantes, ovos de helmintos e salmonellas). Diante disso, observa-se a necessidade de pesquisas para resolver questões técnico-científicas visando promover a adoção de técnicas sustentáveis alinhadas a economia circular e promoções de condições de bem-estar para o produtor rural. Essas limitações dificultam o comércio e aumenta as incertezas quanto aos resultados da utilização desses produtos. Por isso, um dos resíduos mais difundidos é a torta de mamona, que apresenta, no mínimo, 5% de N. Porém, o N proveniente deste insumo tem custo elevado, cerca de 400% superior ao custo do N-Ureia. Diante da dificuldade encontrada por agricultores orgânicos para reposição dos nutrientes exportados dos sistemas de produção, a presente proposta tem a seguinte hipótese: é possível ofertar insumos orgânicos padronizados, com qualidade física, química e biológica, além de preços viáveis para uso na agricultura orgânica no Brasil. Para isso, a proposta tem o seguinte objetivo geral: desenvolver e adaptar tecnologias, produtos tecnológicos, práticas e processos, em uma rede multidisciplinar, para aproveitamento racional de resíduos agrossilvopastoris e biomassa com vistas à expansão da agricultura orgânica brasileira. Nesse sentido, em estudos anteriores foi realizado um mapeamento dos resíduos disponíveis no Brasil com maior potencial para utilização como adubo orgânico. Parte desses resíduos já foram caracterizados. Entretanto, muitos ainda carecem de caracterização, envolvendo análises físicas, químicas e biológicas. O material caracterizado servirá de matéria prima para o desenvolvimento de insumos orgânicos padronizados, tais como fertilizantes orgânicos, organominerais, biofertilizantes e compostos para produção de substratos. Nesse sentido, as atividades da presente proposta envolverão estudos em condições de campo, casa de vegetação e laboratórios. Além dos aspectos agronômicos serão avaliados os impactos do uso desses insumos no sistema solo-planta-atmosfera, incluindo indicadores biológicos e gases de efeito estufa. Dentre os principais impactos esperados, a proposta permitirá evidenciar estratégias de processamento, armazenamento e transporte visando o uso racional de resíduos agrossilvopastoris, contribuindo para expansão da agricultura orgânica, além de subsidiar políticas públicas para o aumento da competitividade da agricultura familiar do Brasil. Os estudos de caracterização e padronização permitirão obter avanços significativos e inovadores no conhecimento, permitindo melhorar o padrão tecnológico desses insumos viabilizando o comércio e a sua correta recomendação para os diferentes sistemas de produção. Cabe destacar que o projeto contribuirá para solução do gargalo tecnológico que representa o suprimento de nutrientes em sistemas orgânicos de produção no Brasil, especialmente no Rio de Janeiro. Os recursos para financiamento das atividades são oriundos de projetos externos da equipe de pesquisadores, incluindo projeto FAPERJ Proc. FAPERJ: E-26/290.0003/2023 – 278400; projeto Embrapa código SEG 12.14.07.001.00.00 e projeto CNPq-Proc. 303951/2025-7 onde a proponente da presente proposta é membro e responsável por atividades de pesquisa.
Candidatar-se
Entre na sua conta para enviar uma carta de intenção à coordenação deste projeto.