Projeto de pesquisa, UFRRJ
CONTROLE TERRITORIAL E DOMÍNIO POLÍTICO: A AGRICULTURA E AS BASES SÓCIO-ECONÔMICAS DO EGITO ANTIGO. (2.670-2.180 a.C.)
Descrição
O objetivo deste projeto é identificar a estrutura de pensamento relacionada à economia egípcia antiga, baseada na agricultura, através da delimitação de termos a ela ligados e do universo conceitual em torno da figura do seu provedor maior, o rei-deus.Na história da humanidade, a implantação da agricultura representa o início do processo divisório entre as sociedades pré-estatais e as sociedades com Estado . Com efeito, a segurança alimentar decorrente do controle da produção de alimentos pelo homem resultou em uma organização humana em grupos maiores e em aglomerados estáveis ou sedentários. O marco civilizacional decorrente, a cidade, originalmente uma ideia mesopotâmica , representa o ponto final de uma estrutura hierárquica advinda desse processo, colocando grupos humanos em setores diferenciados em uma dada organização social e unidos por um forte laço de dependência entre si. A grande experiência humana inicia, com as primeiras civilizações, a entrada na chamada fase histórica, na qual a escrita, mas não apenas ela, é característica marcante . As primeiras civilizações , localizadas majoritariamente nos continentes africano e asiático, têm no Egito faraônico um dos seus maiores expoentes. A base principal do sistema econômico residia na agricultura de irrigação . A classe dominante, representada pelo faraó, o legitimador da ordem social, tinha no controle da distribuição das terras a fonte de seu poder. Ao longo da história egípcia verifica-se uma crescente complexificação do sistema burocrático-administrativo, ampliando os quadros funcionais do Estado. É, pois, nos primórdios de sua história que o Egito faraônico estabelece a base de sua estrutura de poder . Sobre ela, passando por significativas adaptações e transformações ao longo de sua história três vezes milenar, a organização socioeconômica centrada no faraó se legitimou e floresceu. O poder pleno do faraó no período do Reino Antigo tem nos colossais complexos piramidais-templários o testemunho material do seu auge político. Esta concentração de poder e o privilégio perante os ritos funerários foram alterados ao longo da primeira grande crise do poder faraônico também conhecido como Primeiro Período Intermediário. Como resultado desse processo, o poder se diluiu na esfera administrativa, modificando os atributos dos diversos integrantes da classe dominante aproximando o faraó deste grupo e este grupo, por sua vez, aos privilégios dos ritos funerários antes exclusivos do faraó . Datam dessa fase primeva da história egípcia os escritos que constituem nossa fonte principal conhecidos como os Textos das Pirâmides. Os textos compõem o mais antigo corpo de escritos religiosos do antigo Egito, sendo, também, os mais antigos textos representativos de sua literatura. Evidenciam o pleno poder do faraó e o seu protagonismo nos ritos para o além . Foram encontrados nas pirâmides de dez reis e rainhas na necrópole de Mênfis, capital do Egito no Reino Antigo. Estes textos foram copiados e transmitidos por toda a história egípcia, sendo incorporados a outros textos das épocas mais tardias.
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