Projeto de pesquisa, UFRRJ
Os diagnosticismos e seus efeitos na educação em tempos de pós crise pandêmica.
Descrição
O OBJETIVO GERAL do Projeto é analisar o impacto dos diagnósticos psiquiátricos no campo da educação, tendo como pano de fundo a Pandemia de COVID19. Na atualidade acompanhamos um avanço das explicações organicistas centradas nos transtornos do neurodesenvolvimento para explicação das dificuldades escolares. Embora essas explicações recebam severas críticas (Collares et al., 2013; Souza, 2010), a medicalização da infância e da adolescência hoje é um fato. Tanto no campo da Psicologia Escolar e Educacional (Collares et al., 2013; Dockrell; Mcshane, 2000; Souza, 2010), quanto no campo das perspectivas críticas que analisam as classificações psiquiátricas e seu impacto na clínica e na cultura (Amarante; Nunes, 2018; Klein; Lima 2017, 2020; Zorzanelli et al., 2015), encontramos um movimento de resistência à lógica patologizante e medicalizante. Apesar das críticas desenvolvidas há algumas décadas, e as denúncias sobre os mecanismos de controle e interesse financeiro subjacentes (Amarante; Nunes, 2018), acompanhamos uma epidemia de diagnósticos (Whitaker, 2017), a patologização da vida, o consumo de medicamentos, mas também uma fantasia de infância que determina as ações dirigidas aos corpos infantis no asfalto, nas ruas, nas comunidades, nas escolas, nas instituições. A UNESCO (2021) anunciou que o surto de COVID19 também foi uma crise no sistema educacional em todo o mundo. A hipótese da qual partimos é de que a pandemia de COVID19 trouxe um impacto nos processos de diagnósticos psiquiátricos e na medicalização de crianças e adolescentes, sobretudo os diagnósticos que concernem o campo da educação. Há muito que “a medicalização da vida de crianças e adolescentes articula-se com a medicalização da educação na invenção das doenças do não aprender.” (Moysés; Collares, 2010, p. 73). Neste contexto se insere a presente pesquisa, que já está em andamento, pois trata-se de um projeto que tem como meta integrar um campo de estudos sobre os efeitos da pandemia na escolarização de crianças e adolescentes, em torno do tema da saúde mental e dos impactos nos diagnósticos psiquiátricos e da medicalização de crianças e adolescentes, sobretudo para o campo da educação.
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