Projeto de pesquisa, UFRRJ
Epifitismo e Hemiepifitismo Vascular: levantamento florístico, ecologia da comunidade e efeito antrópico sobre a guilda de epífitas em Unidades de Conservação do Sudeste
Descrição
O projeto “Epifitismo e Hemiepifitismo Vascular: levantamento florístico, ecologia da comunidade e efeito antrópico sobre a guilda de epífitas em Unidades de Conservação do Sudeste” é um projeto de longo prazo, que vem sendo executado desde 2006 de forma continuada em diferentes localidades, mas que busca aumentar o número de áreas amostradas e integrar os dados de campo com o levantamento dos registros de epífitas depositados nas coleções dos herbários nacionais e internacionais. Assim, ele tem como objetivo realizar o levantamento florístico e fitossociológico de comunidades de epífitas vasculares presentes em Unidades de Conservação do Estado do Rio de Janeiro, buscando avaliar de que forma os fatores ambientais, tais como estrutura do habitat, variações nas condições microclimáticas e localização geográfica podem funcionar como filtros ambientais na estruturação dessas comunidades de plantas. Além disso, visa também compreender de que forma as modificações antrópicas destes fatores podem determinar mudanças na composição, riqueza e estrutura da comunidade desse grupo ecológico. Apesar da Floresta Atlântica estar incluída entre o 34 hotspots mundiais (por ser uma formação vegetal com elevada diversidade e que vem sofrendo um alto grau de ação antrópica negativa e, consequente elevada perda de áreas florestadas (Myers et al. 2000), e ser uma das áreas que apresentam uma das maiores riquezas de epífitas no mundo, poucos estudos vêm sendo realizados com esta guilda de organismos, especialmente no sudeste do país, onde os trabalhos se resumem a levantamentos florísticos e/ou ou listas de espécies (Freitas et al., 2016; Ramos et al., 2018; Ramos et al., 2021). Além disso, em termos de ecologia do epifitismo, a maioria dos estudos realizados no Brasil têm apenas apresentado informações sobre os padrões de distribuição espacial destes organismos, sem analisar os efeitos das interações entre eles ou os efeitos da ação antrópica sobre essa comunidade. Dessa forma, o projeto proposto torna-se importante não somente pelo fato de contribuir com o conhecimento científico sobre a comunidade de epífitas, como também porque tem por objetivo compreender os efeitos da ação antrópica sobre esse grupo ecológico de espécies vegetais, tema que ainda vem sendo pouco explorado na maioria dos centros de pesquisa. Para tanto, serão realizados levantamentos florísticos-fitossociológicos em Unidades de Conservação previamente selecionadas, nos quais serão estabelecidas parcelas de amostragem dentro das quais todas as epífitas vasculares presentes serão identificadas, terão o número de indivíduos contados e sua distribuição espacial avaliada. Nas mesmas parcelas de amostragem, variáveis da estrutura da vegetação, ambientais e microclimáticas serão mensuradas, de tal forma que esses fatores possam ser correlacionados com a composição, riqueza e estrutura da comunidade de epífitas. Além da metodologia quantitativa, também serão efetuadas campanhas de coleta utilizando-se o método de caminhamento, realizando-se a visita a diferentes áreas de cada UC por meio de trilhas de visitação, durante as quais espécies em estado fértil serão coletadas. Assim, tanto material testemunho das espécies de epífitas quanto das árvores hospedeiras (forófitos) será coletado para posterior identificação, pelos respectivos especialistas, e serão depositados nos herbários do departamento de Botânica da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (RBR), do Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro (RB) e do Museu Nacional do Rio de Janeiro (R). Para avaliar o estado do conhecimento, distribuição geográfica das coletas no estado do Rio de Janeiro e o status e as possíveis lacunas de conhecimento, serão levantados todos os registros das famílias que incluem espécies de epífitas (segundo Benzing, 1990 e Zotz, 2016) nas coleções botânicas das principais instituições nacionais e internacionais. Dessa forma, serão levantadas as exsicatas depositadas nos herbários brasileiros por meio dos repositórios virtuais do Herbário Virtual Reflora e do SpeciesLink. O Projeto vem sendo executado em algumas das unidades de conservação inseridas no corpo do mesmo desde março de 2006. Parte dos recursos tem sido obtida através da participação das próprias unidades de conservação envolvidas, especialmente no que diz respeito ao transporte e alojamento dos integrantes das equipes. Além disso, conto com o apoio de outras instituições, como a Universidade do Estado do Rio de Janeiro e o Instituto Biomas, que vêm executando levantamentos da biodiversidade nestas Unidades de Conservação por meio de apoios obtidos especialmente com a colaboração da Conservação Internacional do Brasil. Atualmente o projeto está vinculado ao Programa de Pesquisa em Biodiversidade (PPBio), que possui financiamento do Ministérios do Meio Ambiente e do Ministérios da Ciência, Tecnologia e Inovação. Além disso, o Laboratório de Ecologia Florestal e Biologia Vegetal (LEF) do Departamento de Ciências Ambientais conta com estrutura básica para a realização do mesmo, como material de campo, computadores e estrutura para a manutenção de estudantes de graduação e pós-graduação, tanto da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, quanto de outras instituições de ensino superior e pesquisa.
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