Projeto de pesquisa, UFRRJ
Mobilidade pendular e reestruturação metropolitana do Rio de Janeiro
Descrição
A produção da metrópole envolve uma escala espacial com fortes processos de fragmentação sócio-político-espacial e uma múltipla e difusa construção identitária. A cidade é, então, um espaço dinâmico, com a atuação constante dos agentes produtores do espaço urbano, sendo local da reprodução das classes sociais no modo capitalista de produção. Ao mesmo tempo, ela resulta do conjunto das práticas sociais como os conflitos sociais, econômicos e políticos que se expressam no interior da sociedade. Desta forma, o processo de urbanização/metropolização, torna mais complexa as relações e os arranjos espaciais, deixando ainda mais evidente o processo de segregação/exclusão, com dinâmicas que passaram a delimitar territorialmente o convívio, fruto de um processo de urbanização espoliativo, em que grande parte da população encontra-se destituída dos benefícios urbanos, tendo que residir em lugares com pouca ou nenhuma infra-estrutura, para garantirem sua sobrevivência, ainda que as relações de trabalho permaneçam centralizadas no núcleo da metrópole. A flexibilidade alcançada, atualmente, conduziu a novas práticas de contratação (subcontratação, terceirização) que avançaram num processo de aumento do desemprego e, principalmente, da precarização do trabalho. A reestruturação dos espaços urbanos conduzem a uma estrutura urbana policêntrica e a proliferação de territórios descontínuos e fragmentados. Estas dificultam a convivência entre pessoas de diferentes camadas sociais, criando e recriando processos de diferenciação e de segregação socioespaciais. Assim, surgem barreiras que fragmentam a vida urbana, deixando os mais pobres à margem do consumo do/no espaço. Desta forma, o trabalhador passa por um processo de exclusão não só em seu trabalho, mas este fato se reflete em seu cotidiano, onde, devido à alta segregação imposta pelo sistema, afasta o trabalhador da produção de sua vida, em que os vínculos territoriais são desfeitos continuamente. No cotidiano da periferia metropolitana as camadas populares costumam passar muitas horas em deslocamento diário para o trabalho, o que acreditamos constituir um dos elementos que influem decisivamente na composição da identidade, pois percebemos que a vivência compartilhada dos migrantes termina por construir elementos identitários ao morador da “Baixada Fluminense”, com um discurso próprio, com identificação política e com raízes territoriais.
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