Projeto de pesquisa, UFRRJ
Plantas Aromáticas e Óleos Essenciais: Abordagem Multidisciplinar para o Estudo de Espécies Nativas do Brasil – 2026/2027
Descrição
1. Histórico e evolução do projeto A presente proposta integra a linha de pesquisa em plantas aromáticas e óleos essenciais, iniciada em 2012, quando foram desenvolvidos estudos com Lippia alba e Schinus terebinthifolius, em colaboração com docentes da UFRRJ. Com a aprovação de bolsas de iniciação científica e financiamento público, a partir de 2016, a redação deste projeto foi estruturado para ser contínuo e voltada ao estudo de espécies nativas do Brasil. A partir de 2020 a linha foi consolidada em formato mais abrangente, contemplando espécies aromáticas nativas de diferentes biomas brasileiros, com enfoque na prospecção química de óleos essenciais, variabilidade intraespecífica, conservação e potencial de uso sustentável da biodiversidade vegetal. Nos anos subsequentes, com a inserção de alunos de pós-graduação e apoio de agências de fomento, a linha expandiu-se para estudos de várias espécies como a Eugenia uniflora, Baccharis dracunculifolia, Aloysia gratissima e S. terebinthifolius. O modelo de trabalho envolve três etapas complementares: (i) caracterização in situ da diversidade química e coleta de material propagativo; e (ii) implantação e manutenção de coleções ex situ na UFRRJ, visando conservação, avaliação agronômica e seleção de materiais adaptados às condições de Seropédica; e (iii) prospecção por aplicações tecnológicas focados em saúde única. Atualmente, já se encontram estabelecidas coleções de Varonia curassavica, L. alba, S. terebinthifolius e E. uniflora, estando em fase de implantação das coleções de B. dracunculifolia e A. gratissima. Dessa forma, a presente proposta representa a continuidade e o aprofundamento de uma linha de pesquisa consolidada, composta por subprojetos sucessivos de formação de recursos humanos, prospecção científica e conservação de recursos genéticos vegetais. Cabe destacar que a viabilidade técnica e institucional dessa linha de pesquisa vem sendo reiteradamente reconhecida por meio da aprovação de bolsas e projetos financiados por agências públicas de fomento, com destaque para FAPERJ, FINEP e outros órgãos de apoio à ciência, tecnologia e inovação. Esses investimentos evidenciam o alinhamento estratégico da proposta com ações de valorização da biodiversidade brasileira, uso sustentável de espécies nativas, fortalecimento da sociobiodiversidade e promoção de cadeias produtivas baseadas em princípios de economia circular. Inserida em uma universidade localizada em área de influência da Mata Atlântica, a proposta apresenta aderência institucional e relevância regional, ampliando o potencial de geração de conhecimento, inovação e desenvolvimento territorial sustentável. 2. Identificação da proposta A Mata Atlântica possui algumas condições específicas que criam regiões ou zonas de alta diversidade. Dentro deste ambiente de grande diversidade estão inseridas várias plantas conhecidas por serem aromáticas e medicinais, entre elas a erva baleeira (V. curassavica), a aroeira (S. Terebinthifolius), a pitangueira (E. uniflora), o alecrim-do-campo (B. dracunculifolia) e, em regiões de transição com o bioma Pampa, a alfazema-brasileira (A. gratissima), as quais também são utilizadas tradicionalmente por algumas comunidades para o tratamento de enfermidades ou fonte de renda alternativa. Sabe-se que o óleo essencial da erva-baleeira apresenta ação anti-inflamatória, analgésica e antialérgica comprovada e os resultados têm relacionado o efeito farmacológico a presença dos sesquiterpenos alfa-humuleno e beta;-cariofileno [1]. A aroeira, por sua vez, tem aplicação mais abrangente, envolvendo segmentos da indústria de aromas e fragrâncias, mas também apresentando indicação para o tratamento de diferentes enfermidades como candidíase e infecções urinárias em mulheres [2]. Para além da produção de frutas, é reconhecido que a pitangueira possui propriedades para o tratamento de febre, resfriado, reumatismo, gota, hipertensão arterial e desordens gastrointestinais [3], além disso, o óleo essencial das folhas tem sido muito explorado para a produção de cosméticos [4]. O alecrim-do-campo uma planta utilizada pelas abelhas para a produção do própolis-verde rico em artepelin C [5], possui um óleo essencial explorado pela indústria de aromas e fragrâncias, na aromaterapia e que apresenta propriedades biológicas e medicinais [6]. O óleo essencial de lavanda-brasileira, por sua vez, possui um aroma agradável explorado para a fabricação de produtos domissanitários, cosméticos e que apresenta também propriedades biológicas e medicinais [7,8]. Em um contexto aplicado, com ênfase em aplicações biotecnológicas, os óleos essenciais apresentam potenciais usos na agropecuária para a produção de inseticidas, acaricidas, fungicidas e bactericidas de origem vegetal que apresentam baixo impacto sobre a natureza e a saúde humana, servindo como uma alternativa ao uso de agrotóxicos na agropecuária [9]. Este tem sido o foco de muitos trabalhos de pesquisa, na busca por uma agricultura menos prejudicial ao meio ambiente e a saúde do homem, visto que muitos trabalhos tem demonstrado o efeito dos agrotóxicos sobre os insetos de modo geral, como as abelhas [10], os anfíbios [11], os peixes [12] e os homens também, principalmente o trabalhador rural [13,14]. A demanda por plantas medicinais e aromáticas tem crescido muito por conta das ações governamentais que incluem a utilização de plantas como medicamentos na saúde pública, entre as quais se insere a aroeira, a erva-baleeira e a pitangueira. Neste contexto, torna-se oportuno o planejamento e execução de trabalhos científicos focados na exploração da diversidade das plantas aromáticas e medicinais no seu local de origem, na busca por materiais genéticos que apresentem potencial agronômico, com base na concentração de seus princípios ativos e teor de óleo essencial. De fato, existe uma demanda para a produção de e aroeira, erva-baleeira, pitangueira, alecrim-do-campo e alfazema-brasileira – entre outras –, todavia, no Registro Nacional de Cultivares (MAPA), muito embora não tenha sido encontrado registro de cultivar para alfazema-brasileira e somente uma cultivar para aroeira, pitangueira, erva-baleeira e alecrim-do-campo contendo informações do depositário, porém sem o relatório de descritores agronômicos e botânicos mínimos, sugerindo que são registros incompletos, não finalizados [15]. Portanto, a presente proposta tem como foco inicial dos trabalhos: a realização de prospecção de espécimes nativas do Brasil, o estudo "in situ" da diversidade química do óleo essencial; a seleção de materiais genéticos com potencial para a produção de princípios ativos de interesse biotecnológico – incluindo ensaios biológicos de interesse aos segmentos fitossanitário e veterinário; a criação de uma coleção "ex situ" para estudos posteriores em programa de melhoramento visando exploração da espécie. 3. Qualificação do principal problema a ser abordado 3.1. Relevância da proposta A proposta aborda a questão da prospecção e potencial biotecnológico dos óleos essenciais de espécies nativas como a aroeira, erva baleeira, pitangueira, alecrim-do-campo e alfazema-brasileira (e outras), de forma inédita. Isto porque, objetiva o estudo da diversidade, o potencial para exploração dessa diversidade focado na atividade biológica frente a insetos, ácaros e fungos de interesse fitossanitário e veterinário, a implantação de coleções de germoplasmas de plantas nativas da Mata Atlântica a fim de conservar e conhecer a variabilidade genética de populações, que estão sob pressão antrópica devido a ocupação de áreas litorâneas e ao extrativismo. É um projeto de longo prazo, anualmente atualizado para a inclusão de novas espécies. A proposta contempla desde a investigação no ambiente natural até o desenvolvimento de inovações tecnológicas a partir do material conservado na UFRRJ. É uma proposta multidisciplinar que fortalece grupos de pesquisa distintos da UFRRJ, que juntos ganharam os editais Temático da FAPERJ (2021), CT-AGRO FINEP (2024) e Pensa Rio FAPERJ (2025), com o tema deste projeto e que estuda e explora as plantas aromáticas e óleos essenciais para o desenvolvimentos de produtos para PET (Yara Peluso, DCF/ICBS), antioxidantes naturais em alimentos (Tatiana Saldanha, DTA/IT), Seleção e melhoramento de plantas aromáticas e medicinais (Pedro Damasceno, DATS/IA), quimiodiversidade e defensivos botânicos (Marco Andre, DBQ/IQ). Atualmente possui financiamento próprio através de bolsa de pesquisa CNE-FAPERJ. Portanto, a qualificação desta proposta é reforçada pelo reconhecimento já obtido em editais de agências de fomento, como a FAPERJ e a FINEP. Essas aprovações apontam para a qualidade técnica deste projeto, sua viabilidade de execução e sua relevância científica, econômica e socioambiental, tanto em escala regional quanto nacional. Pois, tratar-se de tema atual e estratégico para a valorização da biodiversidade brasileira, justificando novos investimentos, em especial, para o fortalecimento da equipe executora e fortalecimento das atividades de pesquisa. 3.2. Justificativa (fundamento teórico) Não existe um mapeamento amplo do perfil químico de espécies vegetais nativas do Brasil, por exemplo: a aroeira, a erva baleeira, pitangueira, o alecrim-do-campo e a lavanda-brasileira. Muito tem que ser realizado para conhecer os potenciais dessas espécies nativas em seu ambiente natural e, até o momento, muito pouco tem sido feito para a apropriação dessa diversidade com a finalidade de seleção de genótipos superiores para a produção de óleos essenciais. Até o momento, não foram encontrados registros completos/finalizados (contendo o relatório de descritores) de cultivares para a espécie mencionadas. Outra justificativa, diz respeito a exploração de espécies vegetais para a produção de fitossanitários com base em produtos naturais, medicamentos fitoterápicos de uso animal e humano, que são alternativas viáveis em substituição aos produtos sintéticos tradicionais (agrotóxicos). Por exemplo, os fitoterápicos apresentam ação farmacológica comprovada com menor custo de produção, possuem valores acessíveis a população de menor renda, e podem ser utilizados no sistema único de saúde. O mesmo se aplica as formulações contendo produtos naturais para uso veterinário. Além disso existe o segmento de produção vegetal e animal, denominado ‘orgânico’, que não utiliza em nenhuma das etapas da linha de produção substâncias de origem sintética para o tratamento de infestações e doenças. Além disso, já existem trabalhos científicos, apesar de poucos, apontando o potencial dos óleos essenciais de espécies nativas do Brasil no controle microrganismos fitopatogênicas, insetos pragas de grãos armazenado, protozoários de animais domésticos [16–31]. Entretanto, são poucos os registros de patentes para produtos agrícolas ou à saúde animal, tornando oportuno a exploração destes óleos essenciais para o desenvolvimento de aplicações biotecnológicas. 4. Objetivos a serem alcançados e contribuições acadêmico-científicas. O objetivo geral deste projeto de pesquisa consiste na valorização da biodiversidade a partir do estudo dos óleos essenciais de espécies nativas, em busca de recursos genéticos com potencial agronômico, para exploração de óleos essenciais e aplicações tecnológicas com foco em saúde única. A seguir serão descritos os objetivos específicos deste projeto: (1) Regularizar a pesquisa; (2) Realizar buscas por espécimes em bioma brasileiros; (3) Realizar a coleta e registro no herbário da UFRRJ; (4) Coletar amostras vegetais e seus os óleos essenciais; (5) coletar informações sobre teor (% m/m) e composição química dos acessos; (6) Implantar e ampliar coleções de espécies nativas; (7) prospectar a atividade biológica e potencial biotecnológico dos óleos essenciais; (8) Organizar e descrever os resultados; (9) Divulgar/ publicar os resultados; 5. Viabilidade executiva e fonte de financiamento Importante ressaltar que o coordenador deste projeto apresenta capacidade técnica e operacional comprovada pelas publicações, orientações, coordenação, sub-coordenação e participação em projetos, informações disponíveis para visualização no Currículo Lattes (http://lattes.cnpq.br/2162032695884224). Este plano de trabalho tem financiamento de projetos, como: Temático E-26/211.374/2021 (FAPERJ) e Pensa Rio E-26/210.771/2025 (FAPERJ) e está vinculado ao projeto de tese de estudante de pós-graduação matriculado no PPGCAF/IF/UFRRJ. Além disso, este coordenador é bolsista Cientista do Nosso Estado (Edital CNE-FAPERJ E-26/204.350/2024). Nos últimos cinco anos, a produção científica intensificou-se e podem ser verificados no currículo lattes, que a atuação na formação de recursos humanos inclui (orientações concluídas e em andamento): 22 estudantes de iniciação científica, sendo 8 bolsistas do CNPq e os demais de outras agências de fomento; 7 dissertações de mestrado; 7 teses de doutorado e 4 alunos em programas de residência/especialização em agronomia. Paralelamente, foram publicados 16 artigos científicos, deste 14 com coautoria de discentes de graduação da UFRRJ. Esses resultados evidenciam experiência na orientação e na capacidade de estimular os estudantes de graduação em atividades de pesquisa e pós-graduação. Importante destacar a participação como docente permanente nos programas de Pós-graduação em Química (PPGQ) e Ciências Ambientais e Florestais (PPGCAF) da UFRRJ. Destaca-se que os laboratórios que darão suporte operacional ao projeto encontram-se plenamente estruturados, com equipamentos, materiais permanentes e insumos de rotina já disponíveis para execução das atividades propostas. Entre as unidades envolvidas estão o Laboratório de Plantas Aromáticas e Medicinais, Laboratório de Recursos Vegetais, Laboratório de Bioquímica de Plantas e a Central Analítica Multiusuário. A infraestrutura instalada e os consumíveis, como descartáveis e outros reagentes foram ou serão obtidos por verba própria proveniente de editais aprovados e comprovados no Lattes. 6. Métodos Resumidamente o método adotado para o desenvolvimento da proposta consiste em: (1) Regularização da atividade de pesquisa em obediência à Legislação. (2) Prospecção, identificação e coleta de espécies nativas do bioma Brasileiros. (3) Extração dos óleos essenciais. (4) Caracterização fisico-química e química dos óleos essenciais. (5) Avaliação da atividade carrapaticida sobre larvas, ninfas e adultos (6) Avaliação da atividade pulgicida sobre adultos e estágios imaturos, (7) Avaliação da atividade inseticida sobre insetos pragas de grãos e semesntes (8) Avaliação da atividade frente a fungos de interesse agrícola. (9) As análises estatísticas descritivas, univariadas e multivariadas.
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