Projeto de pesquisa, UFRRJ
Avaliação in vivo e in vitro de dietas e efeitos sobre a fermentação e microbiota fecal de equinos
Descrição
O presente projeto tem como objetivo desenvolver conhecimentos sobre protocolos de adaptação ao consumo de alimento concentrado por equinos, com menor impacto sobre a saúde digestiva, considerando a resposta da microbiota fecal, a capacidade fermentativa, os parâmetros físico-químicos das fezes e o uso de aditivos moduladores da microbiota como possíveis auxiliares durante a transição alimentar. A proposta será conduzida em três ensaios complementares. No primeiro, serão utilizados 15 equinos adultos, distribuídos em três tratamentos: dieta exclusiva de pastagem de Coastcross, dieta composta por pastagem de Coastcross e concentrado na proporção 90:10 e dieta composta por pastagem de Coastcross e concentrado na proporção 70:30. As coletas fecais serão realizadas um e sete dias após a inclusão do concentrado, visando avaliar alterações na microbiota fecal, parâmetros físico-químicos das fezes e obtenção de inóculo para os ensaios de fermentação in vitro. Nos ensaios seguintes, será avaliada, em sistema in vitro, a capacidade fermentativa dos inóculos fecais frente a diferentes substratos, incluindo alimentos como fontes de amido utilizados nas dietas de equinos, bem como a inclusão de aditivo modulador da microbiota sobre a estabilidade fermentativa in vitro. A relevância da proposta está relacionada à escassez de informações com base experimental sobre protocolos de adaptação ao consumo de alimentos concentrados por equinos. Embora a recomendação de realizar mudanças alimentares de forma gradual seja amplamente difundida, ainda há pouca definição científica sobre os percentuais seguros para inclusão do concentrado, tempo ideal de adaptação e proporção de volumoso:concentrado a ser mantida durante a transição e o impacto desses fatores sobre a microbiota e a fermentação intestinal. Dessa forma, o projeto poderá contribuir para a definição de estratégias de transição alimentar mais seguras, aplicáveis a equinos estabulados, animais em treinamento, animais submetidos a mudanças de dieta e sistemas de produção dependentes de concentrados comerciais. A viabilidade executiva do projeto é garantida pela disponibilidade dos animais, insumos e da infraestrutura necessária para sua realização. O experimento será conduzido no Setor de Equideocultura da COPIEPE/UFRRJ, no Laboratório de Pesquisa em Saúde Equina (EQUILAB – Instituto de Veterinária), Laboratório de Incubação in vitro e Avaliação de Alimentos para Ruminantes (RuminaLab - Instituto de Zootecnia) e no Laboratório de Genética Molecular de Microrganismos (Instituto de Veterinária), que dispõem dos equipamentos e reagentes necessários para as análises propostas, incluindo avaliações físico-químicas das fezes, ensaios de fermentação in vitro e processamento das amostras biológicas. O sistema de medição da produção de gases (Gas Production System — ANKOM RFS) será utilizado para os ensaios de fermentação, permitindo o registro automático da produção cumulativa de gases durante a incubação. Os animais pertencem ao Setor de Equideocultura, e há previsão de fornecimento de alimento concentrado durante o período do experimento. Além disso, a quantidade de concentrado necessária será reduzida, uma vez que o período de avaliação será curto, com duração de sete dias após a inclusão alimentar. O projeto em execução apresenta baixo custo operacional, utilizando animais, estrutura laboratorial, equipamentos e reagentes já disponíveis nos laboratórios envolvidos. Para viabilizar a etapa de sequenciamento do gene 16S rRNA, a proposta será submetida a editais de fomento da FAPERJ e poderá contar, adicionalmente, com apoio de empresa privada. Os ensaios de fermentação in vitro e as análises físico-químicas das fezes permitirão caracterizar os efeitos dos tratamentos sobre a estabilidade do ambiente fermentativo dos equinos. A proposta apresenta viabilidade técnica e operacional, considerando a infraestrutura instalada, a disponibilidade dos animais, o baixo volume de insumos alimentares necessários e a possibilidade de apoio externo para a etapa de sequenciamento. Ao final, espera-se gerar informações aplicáveis à nutrição equina e contribuir para a formação de discentes de graduação e pós-graduação em metodologias de pesquisa voltadas à nutrição, fermentação in vitro e saúde digestória de equinos.
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