Projeto de pesquisa, UFRRJ
Vale do Guandu no rural metropolitano: Economia e história de produtores de aipim
Descrição
O Vale do Guandu é um território cuja centralidade é o rio que desagua na baia de Sepetiba, tem em suas margens um conjunto de áreas voltadas às atividades agrícolas que garantem a existência de comunidades com características que genericamente denominamos de rurais, porque a lógica urbana não tem centralidade em seu cotidiano. Fazendo parte do cinturão verde da metrópole, a região é grande produtora do aipim. Aipim plantado no Vale do Guandu é um projeto que agrega diversos pesquisadores e sociedade civil (tais como Iterj, Embrapa, UFRRJ, Sec Municipal de Agricultura e Pesca de Japeri e Sec Municipal de Agricultura e Meio Ambiente de Nova Iguaçu) com o objetivo de investigar se o aipim cultivado na região que abrange o bairro de Santa Cruz, áreas dos municípios de Seropédica (INCRA e Sol da Manhã), Itaguaí (Mazomba), Nova Iguaçu (Campo Alegre, Jaceruba e Tinguá), Japeri (Normandia I e II, São Pedro, Mutirão da Fé, Marajoara e Pedra Lisa), Queimados (Vilar Grande) e Duque de Caxias (Xerém - Terra Prometida) pode ser utilizado como instrumento de desenvolvimento local. A articulação entre a produção do tubérculo, com o território onde foi plantado, levando-se em consideração os fatores naturais como clima, solo, relevo, etc. não será considerado nesse projeto específico, mas sim o cotidiano da comunidade, principalmente aqueles relacionados à história dos assentamentos que tem como o principal eixo viário a antiga Estrada da Polícia. Esse projeto busca atrelar a história das comunidades produtoras ao circuito turístico que está sendo construído com a denominação de Rota do Aipim, na região do Vale do Guandu e Serra do Tinguá. O projeto apesar de mobilizar Ciência do Solo, Agroecologia, Turismo, Arquitetura, Contabilidade e Direito será do campo da História Urbana (sub-área do Planejamento Urbano e Regional), esta última porque envolve o registro (tombamento) da Estrada da Polícia e os sítios arqueológicos existentes ao longo dessa antiga via do século XIX no trecho em que passa pela região; e uma discussão do planejamento urbano voltado ao rural metropolitano a partir do Estatuto da Metrópole . A estrada é o eixo por onde se distribuem os principais assentamentos agrícolas da região (Japeri, Nova Iguaçu, Queimados e Duque de Caxias). O famoso aipim é atualmente denominado de Santa Cruz em função da colônia agrícola do mesmo nome (na cidade do Rio de Janeiro) criada no período do Estado Novo, mas a produção ocorre em toda a extensão do Guandu, daí a denominação Vale do Guandu. A partir da produção do aipim (cultivo e comércio) nos assentamentos será discutido o invisível rural metropolitano em função da coexistência de um modo de vida rural atravessado por dinâmicas metropolitanas em espaços urbanos precários. A produção do tubérculo ocorre em espaços que são identificados como periurbano ou hiper periférico, o que na prática não dá conta da interface rural construída pelas comunidades nas franjas desse metropolitano periférico. A bibliografia tradicional referente ao tema pode ser lida a partir de duas óticas: a que sustenta o desaparecimento do rural frente ao avanço do urbano (o rural como oposição ao urbano) ou que novas ruralidades são constituídas, a partir principalmente da centralidade da valorização/ proteção do meio ambiente. Na região Metropolitana do Rio de Janeiro, nos espaços de produção de aipim, a atividade agrícola ainda condiciona o modo de vida das comunidades e, embora não afaste o urbano, se articula de maneira diferente com o meio ambiente, ganhando novas características, principalmente porque a atividade hegemônica é a produção agrária, daí a necessidade de estudar como as comunidades se organizam para o cultivo, conhecer a estrutura fundiária, de escoamento, e principalmente a construção do imaginário em torno do produto, potencializando a constituição de uma identidade das comunidades. Esses espaços rurais morfologicamente organizados em torno dos assentamentos, formam uma mancha agrícola dentro do metropolitano periférico. Neste projeto específico a história dos assentamentos envolvidos na produção do aipim será privilegiada como forma de preservar a identidade e historicidade dessa cultura na região, buscando ressaltar uma abordagem territorial do desenvolvimento, vendo-o também como um patrimônio territorial, valor construído pelas comunidades. Dito de outra forma, esse projeto faz parte de um projeto mais amplo, e esse especificamente levantará os dados no INCRA, ITERJ, EMATER-Rio e nas secretárias de agricultura municipais sobre os assentamentos da mancha agrícola localizada no Vale do Guandu buscando identificar e analisar o quantitativo de produção e as formas de organização social/cultural envolvidas em torno do cultivo do tubérculo. Ao mesmo tempo incorporará a discussão do patrimônio histórico, pois a Estrada da Polícia é um importante ativo cultural da região, tendo como pano de fundo uma abordagem crítica ao Planejamento Urbano da região (através da análise dos planos diretores municipais e do PDUI- Plano Estratégico de Desenvolvimento Urbano Integrado), já que o Estatuto da Metrópole não reconhece a existência de áreas de perfil rural na região metropolitana do Rio de Janeiro
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