Projeto de pesquisa, UFRRJ
Turismo em territórios quilombolas no estado do Rio de Janeiro: entre o mercado do afroturismo e instrumento de “aquilombamento"
Descrição
Constata-se, a importância do turismo como um fenômeno sociocultural e econômico que tem sido objeto de ações de políticas públicas, investimentos financeiros e econômicos e de pesquisa. Destaca-se que este fenômeno ganha força, principalmente nos países do Sul Global, chamados de emergentes, periféricos, em desenvolvimento, como o Brasil. No entanto, é inegável que a introdução do turismo na "periferia", em muitos casos, não vem cumprindo as promessas difundidas a respeito desta atividade como vetor de geração de emprego, distribuição de renda e desenvolvimento local e regional. Neste contexto, surge as propostas de Turismo de Base comunitária ou Turismo comunitário (TBC) se tornaram um modelo alternativo por repensar um novo tipo de desenvolvimento capaz de levar a relações produtivas inovadoras com melhores impactos para o desenvolvimento local. Assim, iniciativas de TBC no Brasil, bem como na América Latina, apontam para um novo paradigma de turismo. No cenário brasileiro, com registros a partir da década de 1990, os projetos de TBC têm sua concepção e implantação, principalmente, em lugares com grande riqueza ecossistêmica onde grupos sociais perceberam o potencial do lugar em que moram como destino turístico e decidiram se inserir na atividade de forma distinta, muitos destes lugares habitados por povos e comunidades tradicionais e, em seu processo histórico, incluindo os territórios quilombolas. Assim, entre um turismo classificado como étnico, de TBC ou Afroturismo, algumas comunidades quilombolas têm se inserido no tema. Neste contexto, esta pesquisa se inspira em um aporte de pesquisas e ações em territórios quilombolas que atuam com turismo/visitação, que vêm endo desenvolvidas desde 2015: Quilombos Bracuí (Angra dos Reis), Campinho da Independência (Paraty), Feital (Magé) e Rasa (Búzios). Como consequência, após anos de envolvimento do tema patrimônio cultural material e imaterial do povo negro no turismo, com iniciativas afrocentradas, o Ministério do Turismo, juntamente com a coordenação do Ministério da Igualdade Racial, e parceria com os Ministérios da Cultura; do Trabalho e Emprego; e do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, instituiu, o Programa Rotas Negras em novembro de 2024. O Programa, criado por meio do Decreto nº 12.277 (29/novembro/2024) tem como objetivo incentivar o Afroturismo no país, tendo como metas a promoção do desenvolvimento sustentável das comunidades negras, a valorização da cultura afro-brasileira nos contextos nacional e internacional. O afroturismo pode ser entendido como uma prática que valoriza as experiências vividas por pessoas negras, destacando territórios, memórias e expressões culturais historicamente marginalizadas pelo turismo tradicional. No estado do Rio de Janeiro, entre diversas iniciativas, os territórios quilombolas têm se inserido no turismo. Assim, tendo o que se considera como Afroturismo (nas perspectivas políticas, de mercado e locais), a partir dos movimento, no estado, dos quilombos (Projeto Afroturístico: Rotas Quilombolas -@rotasquilombola) e dos resultados das investigações e atuações anteriores, esta pesquisa se debruça sobre o turismo em territórios quilombolas no Rio de Janeiro. Busca-se mapear os processos socioculturais, políticos e socioprodutivos e elementos simbólicos ligados ao turismo que vêm se estabelecendo e se configurando nos territórios quilombolas para subsidiar reflexões teóricas emergentes sobre o tema. Esta pesquisa parte da concepção do turismo em territórios quilombolas como uma prática econômica, social e cultural contra hegemônica que traz outras perspectivas do que se entende por turismo e nas relações por ele provocadas, um "aquilombamento", exemplificado na perspectiva de exemplificado na perspectiva de "ferramenta de luta pelo território" (liderança do quilombo do Campinho da Independência, 2018) e como "um turismo de memória" (Liderança do Quilombo do Bracuí, 2016). No entanto, o Estado entende e promove o Afroturismo como um nicho de segmento de mercado do Turismo Cultural. Assim, busca-se refletir o turismo nestes territórios como forma de "aquilombamento", como práticas e narrativas, socioeconômica e política contra-hegemônica ou apenas como estratégia de econômica de mercado. Destaca-se que a partir de um mapeamento do estado do Rio, a pesquisa das iniciativas, que trabalham com turismo/visitação, se concentrará nos territórios quilombolas das Regiões Turísticas: Metropolitana, Baixada Verde, Costa Verde e Costa do Sol, onde existe mais possibilidades de visitas de campo e onde o grupo já possui uma relação histórica de relacionamento e pesquisa.
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