Projeto de extensão, UFRRJ
Conhecendo as Rochas da Estrutura Vulcânica do Maciço do Mendanha
Descrição
Rochas alcalinas são formadas a partir de magmas ricos em álcalis (sódio e potássio) e pobres em sílica. Elas são relativamente raras na crosta terrestre, representando menos de 1% dos magmatismos registrados no planeta e ocorrem em ambientes geotectônicos específicos, como rifts continentais e zonas de intraplaca associadas a plumas mantélicas. Sua composição mineralógica é incomum - com presença de minerais como nefelina, leucita, sodalita e outros feldspatóides e, frequentemente, contêm minerais de interesse econômico, o que torna essas rochas valiosas para estudos petrogenéticos e geodinâmicos (Gomes & Comin-Chiaramonti, 2005). O “Vulcão de Nova Iguaçu” faz parte de um conjunto de corpos magmáticos alcalinos com idades entre 70 e 90 milhões de anos, denominado Alinhamento Alcalino do Sudeste Brasileiro, que também inclui o Maciço de Mendanha, o Complexo de Tinguá, o Maciço de Itatiaia, o Complexo de Poços de Caldas e outros. Esse alinhamento é interpretado como resultado da reativação de estruturas pré-cambrianas associada à abertura do Oceano Atlântico Sul durante o Cretáceo (Almeida, 1983, Valença, 1990, Almeida,2006, Riccomini et al., 2005). No final da década de 1970, geólogos do corpo docente da UFRRJ (Victor Carvalho Klein e André Calixto), estudaram o Maciço do Mendanha e propuseram que a formação rochosa seria o remanescente de um vulcão extinto (Vieira & Klein, 1977). Atualmente, o complexo ígneo de Nova Iguaçu é reconhecido como parte inferior de um edifício vulcânico parcialmente erodido. A erosão, ao longo de milhões de anos, teria removido as partes superiores da estrutura (CPRM, 2008) e suas rochas foram reinterpretadoas como corpos intrusivos subvulcânicos formados a cerca de 3 km de profundidade (Motoki et al., 2007a, b; Motoki et al., 2008). Apesar dessa nova perspectiva, a elevação permaneceu conhecida como “Vulcão de Nova Iguaçu” adquirindo relevância cultural como símbolo de identidade local pois, embora a comunidade científica reconheça que o termo “vulcão” não seja tecnicamente preciso, sua estrutura era parte de um sistema vulcânico e suas rochas testemunham processos magmáticos profundos. André Calixto faleceu em 2022, deixando um legado de rochas coletadas em suas pesquisas de campo, parte das quais está hoje integrada à coleção do Museu de Rochas e Minerais da UFRRJ. Trata-se de rochas com composições e texturas diversas e que, até o momento, não foram descritas ou catalogadas de forma sistemática. O projeto aqui apresentado propõe a catalogação e sistematização desse material, seguindo os critérios de incorporação de peças adotados pelo museu e, a partir deste catálogo, a produção de material didático, realização de exposição pública e oficinas, tendo como referência o material coletado por André Calixto.
Candidatar-se
Entre na sua conta para enviar uma carta de intenção à coordenação deste projeto.