Projeto de pesquisa, UFSB
Comunidades, tecnologias e territórios - articulações sociotécnicas e caminhos para participação popular na vida urbana no Sul da Bahia
Descrição
Durante o século XX a cidade se configura como o lócus onde a sociedade se materializa e os aspectos mais concretos da cidadania são exercidos. Ao mesmo tempo a urbanização desenfreada como contrapartida do êxodo rural transformou as muitas cidades contemporâneas em bolsões de desigualdade, violência e individualismo, acelerando as mudanças no curso termodinâmico do planeta e gerando um desenvolvimento predatório. Nesse contexto, muitas propostas têm sido apresentadas para conter e reverter os efeitos sociais, pessoais e ambientais da organização urbana contemporânea. Grande parte dessas propostas apresenta a digitalização como solução para as mazelas causadas pelo crescimento populacional e urbanização desenfreada. A digitalização, muitas vezes representada pelo termo “smart city” se constrói a partir de uma constelação de significados, ambíguos e ilusórios, que escondem sua origem na reorientação mercadológica ancorada em interesses corporativos. A dimensão social e política da cidade é frequentemente excluída de tais propostas que ignoram e apagam os processos de produção e reprodução do comum em espaços urbanos. No entanto, os espaços urbanos, particularmente no Sul Global, são repletos de conhecimento popular e tecnologias sociais ancestrais que estão correndo o risco de apagamento no rastro do progresso desenvolvimentista. A cidade inteligente, no sentido proposto pelo projeto, reconhece a centralidade da ação coletiva no espaço e o potencial dos conhecimentos populares na mitigação das crises urbanas. Nesse sentido, o projeto se propõe a explorar e construir noções de inteligência viva em espaços urbanos no Sul da Bahia com base na produção e reprodução coletiva do comum sob uma perspectiva comunicacional e humana – por meio do papel vinculativo da comunicação comunitária, um método dialógico e cooperativo que leva em conta o valor ético do comum. Este projeto não conta com o uso de inteligência artificial generativa em nenhuma de suas etapas.
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