Projeto de pesquisa, UFSB
INCUBAÇÃO DE EMPREENDIMENTOS ECONÔMICOS SOLIDÁRIOS NO SUL DA BAHIA: caminhos metodológicos a partir da experiência da ITESBA/UFSB
Descrição
O projeto de pesquisa propõe o aprofundamento e a sistematização da metodologia de incubação social desenvolvida pela Incubadora de Tecnologias Sociais e Economia Solidária do Sul e Extremo Sul da Bahia (ITESBA/UFSB), vinculada à Pró-reitoria de Extensão e Cultura (PROEX) da Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB). A proposta parte do reconhecimento das Incubadoras Tecnológicas de Cooperativas Populares (ITCPs) como importantes tecnologias sociais de articulação entre universidade e sociedade, especialmente, no fortalecimento de empreendimentos autogestionários e práticas de economia solidária (Cançado; Tenório; Coutinho, 2011). Nesse contexto, o problema central da pesquisa consiste na ausência de metodologias sistematizadas de incubação social adaptadas às especificidades territoriais, socioculturais e institucionais das universidades, especialmente em instituições públicas interiorizadas e com forte inserção territorial. A proposta constitui aprofundamento do TCC desenvolvido pelo proponente, com a colaboração da coordenadora da ITESBA, Valérie Nicollier, coautora desta proposta, no Programa de Pós-graduação em Economia Solidária, Inovação e Gestão Social da Universidade Federal do Cariri (UFCA), sob orientação do Elias Pereira Lopes Júnior. O TCC possibilitou a construção inicial da denominada Trilha de Integração da ITESBA com Comunidades e Empreendimentos Econômicos Solidários (EES), estruturada em três fases articuladas — Aproximação, Interação e Integração — concebidas como movimentos complementares de aprofundamento do vínculo entre universidade e território. Os resultados preliminares permitiram identificar potencialidades metodológicas, limites operacionais, desafios institucionais e possibilidades de consolidação da incubação social enquanto tecnologia social universitária. A fase de Aproximação demonstrou a centralidade das redes interinstitucionais e do engajamento extensionista na mobilização dos EES, ao mesmo tempo em que evidenciou fragilidades estruturais da incubadora relacionadas à insuficiência de equipe técnica, limitações territoriais de atuação e dependência de iniciativas individuais. Já a fase de Interação possibilitou a aplicação e validação de instrumentos participativos de diagnóstico comunitário e organizacional, como Árvore dos Problemas, FOFA e Régua de Maturidade Institucional, fortalecendo processos de autogestão e planejamento coletivo. Por sua vez, a fase de Integração evidenciou o potencial da articulação entre ensino, pesquisa e extensão na construção de projetos territorializados, bem como os desafios decorrentes da dependência de editais, restrições orçamentárias e necessidade de maior institucionalização da incubadora. Com base nesses resultados, a presente pesquisa busca aprofundar, validar e consolidar a Trilha de Integração da ITESBA enquanto metodologia própria de incubação social e potencial tecnologia social reaplicável. Fundamenta-se nos debates sobre Economia Solidária, autogestão, tecnologias sociais, extensão crítica e desenvolvimento territorial sustentável (Laville & Frère, 2022; Gaiger, Ferrarini & Veronese, 2018; Acosta, 2016), bem como na crítica a modelos positivistas, lineares e excessivamente gerencialistas de incubação, frequentemente dissociados das realidades socioterritoriais e das dinâmicas participativas próprias dos EES. Possui como objetivo geral aprofundar, validar e consolidar a metodologia da Trilha de Integração da ITESBA, desenvolvendo instrumentos, protocolos e fluxos metodológicos voltados ao fortalecimento de EES. Entre os objetivos específicos destacam-se: realizar revisão de literatura sobre metodologias de incubação social e crítica aos modelos tradicionais de incubação; aprofundar a análise crítica das etapas da trilha; aperfeiçoar instrumentos participativos de diagnóstico e acompanhamento; e produzir referenciais técnicos e científicos sobre incubação social universitária, tecnologias sociais e desenvolvimento territorial sustentável. A pesquisa dialoga diretamente com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas, especialmente os ODS 1 (Erradicação da Pobreza), ODS 5 (Igualdade de Gênero), ODS 8 (Trabalho Decente e Crescimento Econômico), ODS 10 (Redução das Desigualdades), ODS 12 (Consumo e Produção Responsáveis) e ODS 17 (Parcerias e Meios de Implementação), ao fortalecer iniciativas coletivas de geração de trabalho e renda, promover inclusão socioprodutiva e estimular práticas econômicas sustentáveis e solidárias. Metodologicamente, trata-se de pesquisa qualitativa, exploratória e aplicada, configurada como estudo de caso (Yin, 2001), centrado na experiência da ITESBA/UFSB. Adota-se a perspectiva da pesquisa-ação participativa (Lewin, 1946; Fals-Borda, 1987), considerando a inserção direta do pesquisador nos processos de planejamento, acompanhamento e avaliação das ações da incubadora. O campo empírico será constituído pelos EES acompanhados no projeto “Nós Solidários” (PJ305-2025 ), financiado pela FAPESB – Ciência na Mesa 2, envolvendo aproximadamente 75 participantes, majoritariamente mulheres negras, indígenas e agricultores familiares dos municípios de Ilhéus, Itabuna, Itajuípe, Itacaré, Eunápolis e Porto Seguro. Serão utilizados procedimentos como observação participante, análise documental, rodas de conversa, oficinas participativas, registros de campo e aplicação de formulários voltados ao acompanhamento institucional e organizacional dos EES. A pesquisa concentrar-se-á na análise de processos metodológicos, instrumentos de incubação e dinâmicas organizacionais coletivas, sem realização de intervenções clínicas, experimentais ou coleta de dados sensíveis individualizados, observando os princípios éticos aplicáveis às pesquisas em Ciências Humanas e Sociais e garantindo o respeito à autonomia, à privacidade institucional e aos acordos coletivos estabelecidos com os empreendimentos participantes. Como resultados esperados, pretende-se consolidar a Trilha de Integração da ITESBA como uma tecnologia social estruturada, reunindo instrumentos, protocolos e fluxos metodológicos de incubação social com potencial de reaplicabilidade em outros territórios e universidades públicas. Busca-se que essa tecnologia social possa futuramente ser reconhecida em editais e premiações nacionais voltados à inovação social e ao desenvolvimento territorial, como os promovidos pela Fundação Banco do Brasil. Espera-se também produzir artigos científicos, capítulos de livros, trabalhos em anais e apresentações em eventos acadêmicos nas áreas de Economia Solidária, Gestão Social, Extensão Universitária e Desenvolvimento Territorial. A pesquisa contribuirá ainda para o fortalecimento institucional da ITESBA, para a qualificação da formação discente na UFSB e para a consolidação da incubação social universitária como estratégia de desenvolvimento territorial sustentável, inovação social e transformação comunitária.
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