Projeto de pesquisa, UFSB
BioCaatinga-IA: Plataforma de Bioprospecção de Bioativos da Caatinga Baseada em Biomarcadores Moleculares e Inteligência Artificial
Descrição
O bioma Caatinga, exclusivamente brasileiro e ainda pouco explorado cientificamente, oferece enorme potencial para a bioprospecção de compostos bioativos voltados à saúde pública e à biodefesa. Estudos indicam 119 espécies medicinais que possuem bioatividade, e pesquisas mostram que 35,9% das cepas de Actinomycetota isoladas na região apresentam atividade antimicrobiana contra patógenos relevantes. Além da riqueza fitoquímica e microbiana, a Caatinga abriga fauna peçonhenta diversificada — serpentes, escorpiões e aracnídeos — cujos metabólitos representam fonte adicional e inexplorada de compostos bioativos com potencial farmacológico e aplicabilidade em biodefesa. Diante da crescente crise global de resistência antimicrobiana, uma das principais ameaças à saúde contemporânea, torna-se urgente buscar novas alternativas terapêuticas e estratégicas para a Defesa Nacional. Este projeto visa formular e validar a prova de conceito (TRL 2) da plataforma “BioCaatinga-IA”, voltada à bioprospecção orientada por biomarcadores moleculares e inteligência artificial (IA), para acelerar a identificação de compostos promissores da Caatinga, integrando fontes vegetais, microbianas e animais em um arcabouço conceitual preditivo unificado. A pesquisa será conduzida pela Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB/CPF) como instituição executora – envolvendo alunos de graduação e dos mestrados do PPGCS e PPGSAB –, em parceria com a ITECH – Instituto Método de Tecnologia Aplicada, a Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf) – envolvendo pesquisadores e alunos de graduação – e o Exército Brasileiro, por meio do 1º Batalhão de Defesa Química, Biológica, Radiológica e Nuclear (1º Btl DQBRN). A proposta será submetida via ICT Baiana. A metodologia compreende, nos primeiros meses, a realização de pesquisa de Estado da Arte e Estado da Técnica para compor o relatório informacional inicial, seguida de: (1) seleção e amostragem de espécies da Caatinga; (2) identificação preliminar de biomarcadores moleculares de origem vegetal, microbiana e animal; (3) definição conceitual do modelo preditivo por IA; e (4) validação analítica e experimental da prova de conceito. Espera-se, ao final dos 24 meses, demonstrar a viabilidade analítica e experimental da abordagem proposta, fundamentando a formulação do conceito tecnológico para futuras etapas de desenvolvimento. O impacto esperado abrange a geração de conhecimento qualificado sobre o potencial bioativo da Caatinga — incluindo o aproveitamento de metabólitos de animais peçonhentos —, o fortalecimento de capacidades em biodefesa, o combate à resistência antimicrobiana e a contribuição para políticas de saúde pública e segurança nacional no Estado da Bahia e no Brasil. O projeto contribui diretamente para o fortalecimento da soberania científica e tecnológica nacional em biodefesa, com potencial de escalabilidade para níveis mais avançados de maturidade tecnológica (TRL 3+).
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