Projeto de pesquisa, UFSB
Entre o racismo linguístico e a cidadania linguística em repertórios de linguagem em comunidades marginalizadas de Brasil, Angola e África do Sul
Descrição
Este projeto circula em torno da continuidade de uma pesquisa iniciada em cooperação em 2022, quando da visita de pesquisadores sul-africanos e brasileiros ao território quilombola de Itacaré-BA. Aquela visita se deu após quase 1 ano de atividades do Think tank dos BRICS financiado pelo National Institute for the Humanities and Social Sciences (NIHSS), intitulado “Multilingualism, Linguistic Citizenship and Vulnerability: a comparative focus on South Africa and Brazil”. A partir daquele momento, várias das nossas pesquisas se concentraram na coleta e comparação de repertórios linguísticos obtidos que pudessem estabelecer com clareza como linguagem e vulnerabilidade se relacionavam nos dois países. Dados parciais obtidos se originaram em torno das práticas linguísticas negrodescendentes no português brasileiro, especialmente os povos quilombolas, de capoeira e de religiões de matriz africana, e de grupos marginalizados da África do Sul, especialmente os povos de língua Afrikaaps. Uma característica correspondente entre os dois grupos notada desde então é a relação entre racismo linguístico e cidadania linguístico, aqui observados como formas como as políticas linguísticas e os preconceitos sociais e raciais influenciam essas práticas, isto é, o racismo linguístico, e as formas como esses povos lidam com essas políticas e preconceitos a partir de suas línguas e práticas linguísticas, por nós definida como cidadania linguística. Assim, esta proposta pretende desdobrar a cooperação citada num cruzamento transnacional em três países, com três grupos heterogêneos entre eles: (i) quilombolas de três comunidades de Itacaré-BA e um terreiro de matriz ijexá em Ilhéus-BA; (ii) rappers de comunidades de primeira língua Afrikaaps na Cidade do Cabo, África do Sul; e (iii) O grupo Associação de Inclusão e Participação Comunitária (AIPC), do complexo de bairros Kikolo, na periferia de Luanda, Angola. Entre os dados já coletados, destacamos o chamado Português do usufruto entre quilombolas e povos de religiões de matriz africana observados, e a afirmação da identidade de forma translíngue em músicas de hip hop entre jovens Coulored na África do Sul. Esperamos, com esta pesquisa, entender como a cidadania linguística produzida nesses locais de extrema violência racial e política pode ser um instrumento para combater o racismo linguístico, bem como o racismo estrutural e institucional, o que se traduzirá na construção de um arquivo online em forma de repositório interinstitucional entre a Universidade Federal do Sul da Bahia e a University of the Western Cape.
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