Projeto de pesquisa, UFSB
Terras raras, territórios e saberes: uma abordagem decolonial e intercultural para o ensino de Química
Descrição
A presente pesquisa propõe o desenvolvimento de uma Unidade Intercultural de Ensino de Química (UIEQ), orientada por uma perspectiva intercultural e decolonial, tendo como eixo estruturante o tema das Terras Raras e suas implicações científicas, socioambientais e territoriais. Parte-se da crítica ao ensino tradicional de Química, frequentemente caracterizado por abordagens tecnicistas, descontextualizadas e eurocêntricas, que tendem a invisibilizar os territórios de extração mineral, os impactos socioambientais da mineração e a relevância dos saberes locais. Nesse contexto, a investigação orienta-se pela seguinte questão: como elaborar uma proposta de ensino de Química sobre terras raras que articule conhecimentos científicos, território e diversidade epistemológica, à luz de uma abordagem intercultural e decolonial? Como objetivo, busca-se desenvolver e fundamentar uma unidade didática que integre dimensões químicas, históricas, geopolíticas e socioambientais, de modo a favorecer uma formação científica crítica, contextualizada e socialmente referenciada. A pesquisa adota uma abordagem qualitativa, de natureza teórico-conceitual e propositiva, ancorada em revisão narrativa estruturada da literatura e na análise de conteúdo. A interpretação dos dados será orientada pelos pressupostos da interculturalidade crítica e da perspectiva decolonial, compreendendo os materiais pedagógicos como produções situadas em contextos históricos, sociais e culturais específicos. Nessa direção, a análise problematiza a colonialidade do saber, ao mesmo tempo em que busca promover o diálogo intercultural fundamentado no reconhecimento da pluralidade de saberes. Como resultado, espera-se elaborar, sistematizar e validar uma unidade didática estruturada em eixos temáticos, que articule os conteúdos químicos relacionados às terras raras a discussões sobre mineração, colonialidade, desigualdades socioambientais e valorização de saberes locais, em continuidade e aprofundamento de pesquisas anteriores. A proposta busca, ainda, aproximar o ensino de contextos territoriais concretos, como a presença de areias monazíticas no sul da Bahia, contribuindo para uma educação científica situada, crítica e epistemologicamente plural. Adicionalmente, pretende-se validar os materiais produzidos, propor aprimoramentos metodológicos e didáticos, desenvolver recursos educacionais aplicáveis à educação básica e gerar produtos acadêmicos, como artigos científicos, contribuindo para a formação de professores, a inovação no ensino de Química e a popularização do conhecimento científico. O projeto prevê, de forma pontual, o uso de tecnologias de Inteligência Artificial Generativa apenas como suporte à escrita acadêmica, restrito a revisões linguísticas e aprimoramento da clareza textual, sem interferência na produção analítica e interpretativa dos dados.
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