Projeto de pesquisa, UFSB
Modos de sobreviver, formas de resistir: por uma contra-história de indígenas, escravizados e libertos no Sul da Bahia nos séculos XVIII e XIX
Descrição
O projeto investiga as práticas de sobrevivência e as formas de resistência de povos indígenas, africanos escravizados, libertos e seus descendentes no Sul da Bahia nos séculos XVIII e XIX, com foco nas antigas jurisdições de Porto Seguro, Prado e Caravelas. Esses grupos aparecem na documentação do período principalmente por meio de registros produzidos por autoridades civis, religiosas, militares e judiciais, o que exige uma leitura atenta às mediações da escrita institucional. A pesquisa adota uma noção de resistência que inclui, além de levantes e fugas, deslocamentos, relações familiares e de compadrio, negociações, reivindicações, recursos à justiça e a permanência ou o retorno a aldeamentos, nos casos em que essas escolhas tenham servido à proteção desses grupos. Fundamenta-se na historiografia indígena e da escravidão, na crítica do arquivo e na perspectiva da contra-história, que orienta a leitura a contrapelo das fontes. A metodologia, de caráter qualitativo e documental, combina procedimentos da História e da Filologia e compreende o levantamento de manuscritos em acervos como a Biblioteca Nacional e o Projeto Resgate, a leitura paleográfica, a transcrição semidiplomática, a análise das condições de produção dos documentos e a interpretação orientada pelo paradigma indiciário. Espera-se identificar práticas de sobrevivência pouco visíveis na documentação, analisar os termos empregados para nomear e classificar esses sujeitos e organizar um corpus documental transcrito que possa ser utilizado em pesquisas e atividades de ensino na Universidade Federal do Sul da Bahia, além de contribuir para a formação de estudantes no trabalho com fontes manuscritas. Palavras-chave: Filologia; resistência; povos indígenas; escravidão; Sul da Bahia.
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